Colômbia afirma que não violou a soberania do Equador

Ministro das Relações Exteriores afirmou que soberania não foi violada, mas agiram em "legítima defesa"

Efe

02 de março de 2008 | 21h59

O Governo colombiano assegurou neste domingo, 2, que não violou a soberania equatoriana na operação militar aérea na qual foi morto o porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), "Raúl Reyes", considerada por Quito a "pior agressão" a seu país por parte de Bogotá. Em uma breve resposta à nota de protesto transmitida sábado, 1, à noite a Bogotá pelo presidente equatoriano Rafael Correa, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que "a Colômbia não violou a soberania, mas atuou de acordo com o princípio de legítima defesa". "Os terroristas, entre eles 'Raúl Reyes', tinham o costume de cometer assassinatos na Colômbia e de invadir o território dos países vizinhos para refugiar-se", acrescentou a Chancelaria, que anunciou para domingo, 2, uma resposta mais ampla ao Equador junto ao Ministério da Defesa. No entanto, a dita declaração foi atrasada, aparentemente, pela postura cada vez mais forte assumida por Correa diante dos fatos e pelas declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em apoio ao dirigente do Equador. Em seu programa dominical "Alô, presidente!", Chávez ordenou o fechamento da embaixada de seu país em Bogotá, sem titular desde o final de novembro do ano passado, após reforçar suas críticas ao presidente colombiano Álvaro Uribe. Além disso, o governante venezuelano dispôs a mobilização de tropas e aviões à fronteira com a Colômbia, de 2.219 quilômetros e palco freqüente de ações das Farc, de traficantes de drogas e de contrabandistas. Após as decisões de Chávez, o Governo em Quito anunciou a retirada imediata de seu embaixador na Colômbia, Francisco Suéscum. Correa convocou o diplomata para consultas, depois de advertir que "não permitirá mais afrontas do Governo colombiano". "Iremos até as últimas conseqüências para que seja explicado este escandaloso acontecimento, que é uma agressão a nosso território e à nossa pátria", insistiu Correa. O bombardeio no qual morreu "Raúl Reyes" aconteceu em Santa Rosa, a cerca de 1.800 metros da fronteira sul da Colômbia com o Equador. No relatório oficial da ação, o Ministério da Defesa sustentou que a Força Aérea Colombiana (FAC) teve "sempre em conta a ordem de não violar o espaço aéreo equatoriano". Além de "Reyes", cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia, durante a ação morreram o ideólogo Guillermo Enrique Torres ("Julián Conrado") e outros 15 insurgentes. O comunicado preliminar da Chancelaria colombiana confirma o pronunciamento de Uribe no sábado, 1, à noite, em cadeia de rádio e TV, da base da FAC na localidade de Rio Negro. Uribe disse na ocasião que "o terrorismo (...) não respeita fronteiras" e "pretende seduzir povos enquanto vê a possibilidade de utilizá-los, e finalmente os invade e os ofende". Agradeceu a "compreensão" do Equador no momento vivido pela Colômbia, que é, segundo disse, de "determinação para derrotar o terrorismo". "Como presidente constitucional da nação, assumo a responsabilidade total dos fatos", acrescentou o governante já em Medellín, para onde retornou neste domingo, 2, em meio à crise diplomática. Uribe assistiu às 12h (hora local) às honras fúnebres do único militar que morreu na ação, e depois retornou à Casa presidencial de Nariño.

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