Colômbia confirma que ação contra as Farc matou equatoriano

As já tensas relações entre Colômbia eEquador devem piorar depois de a Colômbia ter anunciado, nodomingo, que um cidadão equatoriano morreu no ataque colombianode 1o de março contra um acampamento da guerrilha Farc no paísvizinho. O presidente do Equador, Rafael Correa, já havia prometidoque as relações com a Colômbia seriam reduzidas caso fosseconfirmado que uma das vítimas do incidente, que provocou umacrise diplomática na América do Sul, era equatoriana. "Ele era equatoriano", confirmou o ministro de Defesa daColômbia, Juan Manuel Santos, no domingo, encerrando asespeculações. Uma nota do ministério disse que aparentemente a vítima setratava de um membro das Forças Armadas Revolucionárias daColômbia (Farc) que ajudava guerrilheiros a se esconderem nolado equatoriano. "Peço às autoridades equatorianas que não permitam quecriminosos tirem vantagem (de seu território)", disse Santos. O Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia porcausa da ação militar que resultou na morte do dirigenterebelde Raúl Reyes e de cerca de 20 outros guerrilheiros. Nodomingo, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, divulgou notadizendo que a ação foi necessária para proteger seu país deataques "terroristas". A crise, que envolveu também a Venezuela, terminou comapertos de mãos na semana seguinte durante uma cúpula naRepública Dominicana. Quito e Caracas chegaram a enviar tropaspara suas fronteiras com a Colômbia. Na semana passada, parentes de um equatoriano disseram queele havia morrido na ação militar. Correa ordenou umainvestigação, dizendo que não permitiria que "o homicídioficasse impune". Reyes foi o mais importante dirigente da guerrilha a sermorto pelas forças do governo colombiano em mais de quatrodécadas de conflitos. A ação contribuiu para levar a aprovaçãopopular a Uribe a 82 por cento, embora a maioria dos paíseslatino-americanos tenha condenado a violação do territórioequatoriano. Uribe, principal aliado dos EUA na América do Sul, acusouEquador e Venezuela de ajudarem as Farc ao invés decombatê-las. A senadora oposicionista colombiana Piedad Córdoba disseque a ação militar do dia 1o inviabilizou qualquer discussãoque possa levar à libertação dos cerca de 40 reféns políticosmantidos pela guerrilha. Ela participou da mediação que levou àlibertação de seis reféns neste ano.

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