Colômbia critica posição de Lula em crise com Venezuela

A Colômbia rejeitou nesta quinta-feira as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que a crise diplomática entre Bogotá e Caracas seria um mero "conflito verbal", ignorando a possível ameaça que representa a presença de guerrilheiros na Venezuela.

REUTERS

29 de julho de 2010 | 16h53

O governo brasileiro informou que Lula já tomou conhecimento da reação colombiana e "não considera apropriado que se responda a esse comunicado".

A reclamação ao presidente brasileiro foi feita em um comunicado da Presidência da Colômbia poucas horas antes de uma reunião emergencial entre chanceleres da região para tentar chegar a uma solução para a ruptura das relações diplomáticas entre Colômbia e Venezuela.

"O presidente da República (da Colômbia) lamenta que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, com quem temos cultivado as melhores relações, se refira a nossa situação com a República Bolivariana da Venezuela como se fosse um caso de assuntos pessoais", afirmou um comunicado da Presidência colombiana.

Com essas declarações, o presidente brasileiro está "ignorando a ameaça que para a Colômbia e o continente representa a presença dos terroristas das Farc nesse país (Venezuela)", acrescentou.

De acordo com Marcelo Baumbach, porta-voz da Presidência brasileira, "o presidente acredita que a estabilidade das relações entre esses dois países amigos, dois países tão importantes na nossa região, a estabilidade nas relações entre eles, é fundamental para a tranquilidade na região e para o avanço da integração regional."

Ele acrescentou que "o presidente acredita que é só o diálogo entre as partes, a boa vontade, que vai levar à solução desse problema".

O governo do presidente Álvaro Uribe denunciou há uma semana para a Organização dos Estados Americanos que cerca de 1.500 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) estariam se refugiando em território venezuelano e pediu uma comissão especial para investigar a situação.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, negou imediatamente as acusações e rompeu relações diplomáticas com seu vizinho, além de colocar em alerta suas Forças Armadas, na pior crise entre os países em mais de duas décadas.

Lula, ao mesmo tempo em que reiterou na quarta-feira sua disposição para mediar a busca de uma solução, considerou que a disputa não é "nenhum conflito, o que vejo é um conflito verbal, que é o que mais vemos na América Latina".

O brasileiro defendeu ainda "alcançar a paz" na reunião extraordinária de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) prevista para a tarde desta quinta-feira em Quito e esperar com "paciência" a posse do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, no dia 7 de agosto. Segundo o porta-voz Baumbach, está mantida a ida de Lula à posse de Santos.

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, afirmou que vai à reunião da Unasul com poucas expectativas de acordo para o mais recente conflito diplomático entre Bogotá e Caracas, que ameaça aumentar a polarização na região.

"Desconhece o presidente Lula nosso esforço para buscar soluções através do diálogo. Repetimos com todo o respeito ao presidente Lula e ao governo do Brasil que a única solução que a Colômbia aceita é que não se permita a presença dos terroristas das Farc e do ELN em território venezuelano", concluiu o comunicado.

(Por Nelson Bocanegra, com reportagem adicional de Bruno Peres em Brasília)

Tudo o que sabemos sobre:
COLOMBIALULAURIBE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.