Colômbia denuncia novo ataque das Farc a partir do Equador

Segundo general do Exército colombiano, guerrilheiros atacaram com cilindros bomba, deixando soldado ferido

Reuters e Efe,

26 de abril de 2008 | 17h46

Guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) usaram armas não-convencionais em um ataque a partir do Equador a tropas colombianas que faziam a segurança de um petroleiro, em atividade de exploração na fronteira entre os dois países, denunciou neste sábado, 25, o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya.   Veja também: Exército colombiano mata número dois das Farc Por dentro das Farc  Entenda a crise na América Latina  Esse é o mais recente incidente na fronteira de 586 quilômetros entre as duas nações, que mantêm suspensas suas relações diplomáticas desde março, após as forças colombianas entrarem no território equatoriano para atacar um acampamento das Farc, o que agravou as tensões bilaterais. Montoya disse que os rebeldes das Farc lançaram na sexta-feira, 25, a partir do território equatoriano cinco cilindros de bomba contra as tropas que se encontravam em Teteye, próximo ao município de Puerto Asís. "Bandidos da quadrilha 48 das Farc lançaram a partir do território da República do Equador cinco cilindros de gás carregados com explosivos. Destes cinco cilindros, dois explodiram. Um soldado foi ferido como resultado dessas explosões", afirmou o oficial em uma entrevista coletiva à imprensa. "O preocupante é que eles continuam lançando explosivos a partir da República do Equador", afirmou Montoya.   Um informante desmobilizado das Farc revelou neste sábado ao canal RCN de televisão, que essa guerrilha, "do Equador", planeja e lança ataques a tropas colombianas que se encontram perto da divisa entre os dois países.   "Esperamos que esta situação não continue. É delicado para tropas colombianas e para as companhias que exploram petróleo nessa região", disse o general Montoya.                                                                      Diplomacia A Colômbia denuncia há vários anos que as Farc utilizam o território do Equador para preparar ataques contra as Forças Armadas e para fugir da perseguição militar, em meio ao conflito interno de mais de quatro décadas com milhares de mortos. Mas o presidente do Equador, Rafael Correa, que se nega a classificar as Farc como uma organização terrorista e que se declara neutro diante do conflito, questiona a falta de controle e a escassa presença militar da Colômbia na fronteira entre os dois países. O governo de Quito rompeu relações diplomáticas com Bogotá depois que militares colombianos bombardearam uma região da selva equatoriana, um ataque que matou um dos líderes das Farc Raúl Reyes. Correa classificou esse ataque, em que também morreram outras 24 pessoas e que não foi autorizado, como um massacre que violou a soberania de seu país. Ainda que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tenha intercedido para restabelecer as relações diplomáticas, Correa mantém uma atitude crítica em relação à Colômbia e a Uribe. O mandatário equatoriano disse nesta semana que estava disposto a reconhecer as Farc como uma força beligerante, se liberarem seus reféns e suspenderem seus ataques, o que provocou uma enérgica reação de Uribe e uma nota de protesto da Chancelaria da Colômbia.

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