Colômbia descarta envio de mais tropas a fronteiras

Governo colombiano diz que levará provas que ligam Equador com a guerrila às Nações Unidas

Associated Press e Reuters,

03 de março de 2008 | 13h34

A Colômbia não vai enviar soldados extras para suas fronteiras com a Venezuela e o Equador, apesar de os países vizinhos terem aumentado a presença militar nas fronteiras depois da operação que matou um líder rebelde das Farc em solo equatoriano, disse o governo nesta segunda-feira, 3.   Veja também: Brasil vai atuar para reduzir tensão regional Colômbia acusa Equador e Venezuela na ONU Colômbia pede à Europa mediação do conflito na AL Fidel alerta para as 'trombetas da guerra' na América do Sul Exército colombiano mata número dois das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Por dentro das Farc   Dê sua opinião sobre o conflito     O governo colombiano afirmou que está preocupado em relação a possíveis acordos entre rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Equador e Venezuela e denunciará às Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos (OEA) as supostas ligações entre a facção e os governos, que "violam a normalidade internacional na proibição de abrigar terroristas".   O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou que suas forças encontraram documentos provando que havia uma conivência do governo do Equador com os guerrilheiros das Farc. Santos, em entrevista à rádio Caracol, disse que Bogotá não irá mobilizar nenhuma tropa e que "temos a situação sob controle dentro de nossa fronteira e sem nenhum problema".   "Não venham nos dizer agora que os guerrilheiros são coitadinhos, coitadinho de Raúl Reyes porque estava de pijama, isso me parece insólito, são uns grupos terroristas e isto dentro do Direito Internacional Humanitário é perfeitamente aceitável, atacar acampamentos de grupos terroristas, isso não tem nenhum questionamento", disse o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, à emissora de rádio Caracol. O ministro classificou de exagerada a reação do presidente do Equador, Rafael Correa, cujo governo parecia ter ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), de acordo com documentos e informações encontradas em poder de Reyes, no local onde morreu vítima do bombardeio. "O importante... é o descumprimento de um princípio e um mandato da própria Organização das Nações Unidas (ONU), de países que estão de certa forma acolhendo e apoiando grupos terroristas, depois do esforço que temos feito aqui na Colômbia para tratar de erradicar a violência do terrorismo", afirmou.   O ministro não quis comentar declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de que entenderia como uma declaração de guerra operação semelhante em solo venezuelano. "Prefiro deixar o presidente Chávez fora desta discussão", afirmou Santos. Entretanto, ele se disse surpreso com as relações estreitas entre os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o governo do presidente equatoriano, Rafael Correa.   "Em várias ocasiões dissemos ao governo do Equador: 'olhem que lá estão as Farc' e a reação do governo do Equador era sentir-se insultado pela simples sugestão", disse Santos. "Agora, nos damos conta, podemos comprovar, que era tudo o contrário, que era com a conivência direta porque o que aparece nos documentos era que sabiam perfeitamente e inclusive queriam fazer acordo com as Farc". Santos se referia a documentos que seu governo diz ter resgatado entre os pertences do líder guerrilheiro, Raúl Reyes, morto na operação.   O ministro quer que o debate sobre a incursão seja feito em fóruns internacionais, como a OEA e a ONU, "segundo parâmetros que foram aceitos como norma e princípio internacionais, de acolher grupos que são considerados terroristas em um território e inclusive dar-lhes apoio".

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