Colômbia destitui 27 militares por abusos

A Colômbia destituiu na quarta-feira 27 militares do Exército, inclusive 3 generais, supostamente envolvidos em violações de direitos humanos, inclusive a desaparição de pessoas posteriormente identificadas como mortas em combate. Trata-se do maior expurgo recente nas Forças Armadas colombianas, acusadas por entidades de direitos humanos de cometer abusos na sua luta contra a guerrilha esquerdista, esquadrões de direita e narcotráfico. O caso que levou às destituições se relaciona com a desaparição de pelo menos 19 jovens num bairro operário da zona sul de Bogotá, que posteriormente apareceram mortos no Departamento de Norte de Santander, fronteira com a Venezuela. As autoridades militares inicialmente informaram que as vítimas haviam morrido em combates com patrulhas do Exército e que faziam parte de grupos armados ilegais, formados por antigos paramilitares. O presidente Álvaro Uribe admitiu que "pode haver integrantes das Forças Armadas envolvidos nos assassinatos". Ao anunciar as destituições, ele disse que os militares não podem recorrer à "covardia para enfrentar aos delinqüentes", e que matar inocentes é uma "distorção da eficácia". Na terça-feira, a Anistia Internacional pediu à comunidade internacional que suspenda a ajuda militar à Colômbia devido a violações aos direitos humanos. A ONG qualificou o expurgo como "um pequeno passo no longo caminho para encontrar a justiça para os milhares de colombianos vítimas de violações dos direitos humanos".

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