Colômbia deve invocar lei anti-terror da ONU na OEA

Organização se reúne nesta terça para tentar solucionar impasse diplomático com o governo equatoriano

Agências internacionais,

04 de março de 2008 | 07h55

O governo colombiano buscará nesta terça-feira, 4, uma saída diplomática para a crise com o Equador e a Venezuela diante da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde o país deve se basear em duas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas usadas pelo governo americano para invadir o Afeganistão após o 11 de setembro, para justificar o ataque ao acampamento de Raúl Reyes no território equatoriano, incidente que desencadeou até o rompimento de relações diplomáticas entre os dois países sul-americanos.   Veja também:  Dê sua opinião sobre o conflito   Repercussão na imprensa internacional      Por dentro das Farc  Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Brasil e Chile propõem envio de missão da OEA à fronteira Farc tentavam obter material radioativo, diz Colômbia Colômbia acusa Chávez de ter dado US$ 300 milhões às Farc Colômbia deve 'pedido de desculpa' ao Equador, afirma Amorim Ataque no Equador frustra liberação de Betancourt, diz Correa Análise: 'É possível que as Farc se desarticulem'     As duas resoluções, 1368 e 1373, de setembro de 2001, garantem a livre intervenção militar dos Estados Unidos no Afeganistão para enfrentar a ameaça terrorista da Al-Qaeda - que manteria bases no país com a cumplicidade do governo Taleban. A reunião extraordinária da OEA será um encontro de embaixadores em Washington e foi sugerida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos presidentes do Equador, Rafael Correa, e Colômbia, Álvaro Uribe.   Segundo o jornal colombiano El Tiempo, não foi por acaso que na segunda-feira o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, invocou em Genebra, diante da Assembléia de Direitos Humanos da ONU a resolução que exige dos EUA o compromisso vinculado ao combate ao terrorismo. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, são consideradas facção terrorista por diversos países, incluindo europeus e os EUA. Santos acusou "alguns países" de não cumprirem a determinação da ONU na América do Sul, de "recusar refúgio a quem financia, planifica ou comete atos de terrorismo e impedir que os que financiam, planificam, facilitam ou cometem atos de terrorismo utilizem seus respectivos territórios para esses fins, contra outros Estados ou seus cidadãos".   Também não foi gratuita a menção do chanceler Fernando Araújo da "legitima defesa" quando explicou os acontecimentos de sábado. A Colômbia pode ainda invocar o artigo 51 da ONU, que aborta o tema. Por sua vez, o governo equatoriano, que na segunda-feira rompeu oficialmente as relações com a Colômbia, defenderá a declaração que condena a "violação da soberania" dos Estados.   Para o Brasil, o governo da Colômbia deve fazer um pedido formal de desculpas ao Equador, garantindo que não voltará a invadir o território equatoriano, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "A violação do território de um outro país é muito grave e deve ser condenada. Isso traz intranqüilidade para os Estados vizinhos, principalmente para os menores e mais fracos", disse Amorim. Para o chanceler brasileiro, apesar de a Colômbia já ter apresentado um pedido de desculpa por ter entrado no país vizinho, é necessário outro para que a tensão com o Equador diminua. "Na minha opinião, um pedido de desculpas sem condicionantes vai ajudar muito o diálogo, porque a Colômbia já admitiu que efetivamente violou o território do Equador, e isso é muito grave, é gravíssimo", ressaltou o ministro.   Como era de se esperar, o Departamento de Estado dos EUA deu respaldo ao governo colombiano em sua "luta contra o terrorismo" e o seu "direito de resposta" para se defender das Farc, porém pediu pelo diálogo diplomático entre Colômbia e Equador.   Segundo a BBC, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também fez um apelo ao diálogo e disse estar preocupado "com o aumento das tensões e da retórica durante o fim de semana", de acordo com uma porta-voz.   No fim de semana, Equador e Venezuela a anunciaram o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia, em uma reação à operação das forças colombianas em território equatoriano.

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