Colômbia deve privilegiar indenização, e não punição

Os promotores colombianos, soterradospelos 70 mil processos sobre direitos humanos impetrados porvítimas da guerra no país, deveriam dar preferência àindenização dos afetados, e não à punição dos culpados, disse ochefe da comissão de reconciliação do país. Para Eduardo Pizarro, o governo da Colômbia, para ajudar aencerrar a guerra de guerrilhas que já dura mais de quatrodécadas, deveria adotar um esquema administrativo que passassepor cima do processo penal, a fim de indenizar as vítimas deforma mais rápida e mais abrangente, mesmo que isso signifiqueimpunidade para os autores das violações aos direitos humanos. "Temos de sacrificar alguma coisa para conquistar a paz, eo que vamos sacrificar é a justiça completa", disse Pizarro,presidente da Comissão Nacional de Reparação e Reconciliação,um órgão semi-independente que supervisiona o desmantelamentodas milícias paramilitares de ultradireita. "Com um sistema administrativo sacrificaríamos o equilíbrioentre as reparações e os danos causados", disse ele numaentrevista na quarta-feira. "Mas ganharíamos no aspecto de queas reparações chegariam a mais gente, mais rápido." Como há apenas 23 promotores responsáveis pelos 70 milcasos impetrados pelas vítimas, Pizarro disse que vai levardécadas para julgar os responsáveis. O presidente Alvaro Uribe está estudando a proposta.Pizarro disse que, com o sistema que ele sugere, as pessoaspoderiam ser indenizadas em até dez anos. Ele citou o sucesso do sistema de indenizações adotado peloChile, que deu pensões, educação e benefícios no atendimento àsaúde para as vítimas do governo de Augusto Pinochet. Sistemasjudiciais como o implementado em El Salvador depois da guerracivil tiveram menos sucesso, disse ele. Apesar da dispersão de 31 mil paramilitares nos últimosquatro anos, as áreas rurais da Colômbia continuam sofrendo coma guerra, na qual todo ano milhares de civis são mortos oudesalojados por rebeldes de esquerda e outros grupos ligados aocomércio de cocaína. A maioria dos líderes paramilitares está presa, graças a umacordo com o governo que prometeu penas máximas de oito anospara crimes como tortura e massacre.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.