Colômbia diz não precisar da França na mediação com as Farc

Em Paris, chanceler colombiano defende a aproximação direta do governo de Álvaro Uribe com a guerrilha

Efe,

29 de julho de 2008 | 14h38

O ministro de Exteriores colombiano, Jaime Bermúdez, disse nesta terça-feira, 29, em Paris que a Colômbia não precisa da França para negociar com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas vê com agrado a disposição do país de acolher os rebeldes que estejam dispostos a se desmobilizar. "O presidente (Álvaro) Uribe considerou que neste momento devemos avançar em uma aproximação direta com as Farc", declarou Bermúdez em entrevista coletiva conjunta após se reunir com o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner. Veja também:Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região    Para o chanceler francês, os dois países puderam "debater a questão dos reféns" na Colômbia após a libertação, em 2 de julho, da franco-colombiana Ingrid Betancourt junto com outros 14 seqüestrados em uma operação das Forças Armadas colombianas, após ela passar mais de seis anos em poder das Farc. Mas sobre a reunião pairou a decisão de Bogotá tomada em junho de suspender a mediação de França, Espanha e Suíça com as Farc por causa das suspeitas de que os emissários francês, Noël Saez, e suíço, Jean-Pierre Gontard, estavam sob influência da guerrilha. A Colômbia entregou à França toda a informação relativa ao mediador francês encontrada no computador do ex-líder rebelde "Raúl Reyes", morto em março em uma operação colombiana no Equador, explicou Bermúdez. Kouchner, que defendeu fortemente os dois homens, voltou a fazê-lo nesta terça ao dizer sobre Saez que é "íntegro", "corajoso" e "um grande servidor da República francesa", e anunciou que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, lhe condecorou na segunda-feira com a Legião de Honra, a mais alta distinção do país. "O presidente Uribe é livre em sua própria casa", disse, ao ser perguntado sobre a interrupção da mediação internacional, mas ressaltou que a França continua disposta a dar seu apoio se for necessário, porque é preciso libertar "todos os reféns" que seguem cativos na Colômbia. Com esse objetivo, "tomamos todos os caminhos possíveis, em particular alguns que não eram sempre do agrado de Uribe", declarou Kouchner em referência aos contatos com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, que conseguiram que as Farc libertassem seis reféns entre janeiro e fevereiro. Kouchner agradeceu nesta terça a Uribe e a seu governo pela libertação de Betancourt, mas apresentou como uma vitória "dos latino-americanos" a libertação dos 21 reféns este ano.  O ministro francês destacou que a França está disposta a participar dos programas de reinserção da guerrilha na Colômbia e a acolher em seu território os guerrilheiros que quiserem, "sempre e quando estiverem na regra com a Justiça colombiana." Já Bermúdez agradeceu por "todos os mecanismos de cooperação internacional que permitam desmantelar qualquer rede ou vínculos com este grupo terrorista", ao ser perguntado sobre a detenção na semana passada na Espanha da suposta representante das Farc no país, María Remedios García Albert.  O chanceler disse que não podia especificar se haverá mais detenções em outros países, como sugeriu a polícia colombiana.

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