Colômbia diz que acordo por reféns das Farc é 'prioridade'

Ministro da Defesa afirma que cerco aos rebeldes e ações militares são "mais uma alternativa" na libertação

Efe e Associated Press,

29 de janeiro de 2008 | 15h00

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta terça-feira, 29, que um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é "prioritário" e que o cerco aos reféns da guerrilha na selva colombiana é "mais uma alternativa" para tentar a sua libertação. Ele ainda reafirmou que a pressão militar continuará, mas que não é intenção do governo recuperar os seqüestrados por meio de uma ação militar.   Veja também: Por dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade   "Seria uma alternativa se conseguirmos encontrá-los, mas ainda não o fizemos", explicou Santos diante da Comissão de Relações Exteriores na Assembléia Nacional francesa, em Paris. O ministro lembrou ainda que a idéia do presidente colombiano, Álvaro Uribe, é que os reféns das Farc fossem encontrados, eles seriam cercados e seria possível, com o conhecimento da comunidade internacional, tentar a negociação de um acordo humanitário, e insistiu que "não é nada além de mais uma alternativa".   As autoridades francesas pediram anteriormente que a Colômbia não desenvolvesse ações militares que colocasse em perigo a vida dos seqüestrados, depois que as associações que lutam pela libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt denunciaram a proposta de Uribe.   O ministro da Defesa denunciou que "as Farc estão usando os reféns como escudo humano", para "tentar recuperar o terreno político perdido, e ilustro explicando que eles não querem uma troca humanitária. "Quanto mais se prolongue a discussão do acordo humanitário, melhor para as Farc", afirmou Santos, que disse ainda que a guerrilha se negou a listar os 500 guerrilheiros que deveriam ser libertados em troca dos 43 reféns "políticos" que estão detidos.   Santos reiterou que a Colômbia seguirá com a pressão militar, porém sempre abertos para outras soluções. Ele lembrou que o governo de Bogotá aceitou a criação de uma "zona de encontro" supervisionada pela comunidade internacional, e que se comprometeu em dar "todas as garantias necessárias" na busca de um acordo. O ministro ainda negou que a pressão dos países pela crise dos reféns fizeram com que Bogotá modificasse a sua política contra a guerrilha e que o interesse do grupo em Ingrid Betancourt é aparecer no cenário internacional.   O colombiano assinalou que as Farc entraram em um processo de decomposição e retrocesso e admitiu que existem casos isolados de violações dos direitos humanos por parte das Forças de Segurança, embora tenha destacado o respeito pela legalidade dos militares, que segundo ele, têm uma grande popularidade com o povo colombiano.   Proposta de Uribe   No sábado, durante um conselho comunitário - uma reunião de ministros e autoridades locais, no departamento (estado) de Vaupés, no sudeste colombiano - Uribe afirmou que "o governo deu instrução à força pública para localizar os locais onde estão os seqüestrados, cercá-los e no momento em que estejam cercados convocar a comunidade nacional e internacional para definir um procedimento humanitário para a liberação total dos seqüestrados" em troca de rebeldes presos.   Alejo Vargas, analista político e professor da Universidade Nacional, disse que a proposta de Uribe não é factível e que seu objetivo é criar polêmica. "Uma coisa é uma proposta para um público em um conselho comunitário e outra é sua viabilidade em termos de ordem estratégica e operacional", afirmou Vargas em entrevista para a rádio Caracol.   Uma operação militar desse tipo, acrescentou Vargas, é complicada devido ao terreno em que os agentes teriam que avançar. "Estamos falando no caso da selva colombiana, uma selva impenetrável, daí a possibilidade de cerco ser muito difícil... Se ele chegasse a ocorrer, o mais provável é que desembocasse em um confronto" armado entre rebeldes e militares, explicou.   O cerco militar "me parece uma idéia descabida", disse à emissora o ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998). "A proposta me parece muito perigosa. Se for concretizada, teríamos os efeitos psicológicos na guerrilha, de um assédio militar sem os eventuais benefícios de um resgate", acrescentou referindo-se ao fato de que se os rebeldes fossem militarmente pressionados poderiam contra-atacar, o que colocaria em risco a vida dos reféns civis e militares.

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