Colômbia diz que apoio de Chávez pode endurecer guerrilha

Os maiores gruposguerrilheiros da Colômbia adotarão posturas mais rígidas diantedo governo devido ao apoio político que o presidente daVenezuela, Hugo Chávez, tenta facultar-lhes, afirmou LuisCarlos Restrepo, alto comissário da paz do governo colombiano. Chávez pediu, em janeiro, que as Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de LibertaçãoNacional (ELN) recebessem status político e tivessemreconhecido seu estado de beligerância. O governo colombiano,no entanto, não se manifestou a esse respeito. A União Européia (UE) e os Estados Unidos continuamincluindo os dois grupos rebeldes em uma lista de organizaçõesterroristas, o que impede que indivíduos, governos ou entidadesmantenham relações com eles ou lhes dêem apoio."Por enquanto, no curto prazo, veremos um endurecimento dascúpulas, algo motivado pelo espaço político que o presidenteHugo Chávez tenta abrir para as guerrilhas, interessadas em dardemonstrações de força para seus próprios membros", afirmouRestrepo em um documento divulgado na segunda-feira em suapágina na Internet: www.altocomisionadoparalapaz.gov.co. O funcionário garantiu que as Farc e o ELN pretendem, deforma dura, reagir à diminuição da vontade de luta comoresultado dos golpes militares que sofreram, das deserções e dadesmoralização devido a seus baixíssimos índices depopularidade. "De forma que os discursos realizados nos últimos dias asestimularão a endurecer sua posição, o que afasta, ao menos noplano imediato, a possibilidade de uma saída negociada",afirmou Restrepo. LIBERTAÇÃO DE REFÉNS Segundo a avaliação de Restrepo, a libertação unilateral dereféns realizada pelas Farc visa pressionar o governo dopresidente Álvaro Uribe a desocupar militarmente uma área de780 quilômetros quadrados, condição imposta pela guerrilha paranegociar um acordo humanitário de troca dos demais reféns porguerrilheiros presos. Restrepo disse que uma manobra do tipo poderia serrealizada também pelo ELN, que busca angariar espaço políticona comunidade internacional e junto aos governos da AméricaLatina, da Europa e de setores democratas dos EUA. "Nesse cenário, os guerrilheiros tentarão atrair ainda ossetores democratas dos EUA, em especial aqueles que combinamuma atitude crítica em relação ao governo colombiano com umaingenuidade voluntarista na busca pela paz, o que os faria maisaptos a abrirem espaços de interlocução com os grupos armados eilegais da Colômbia", acrescentou. As Farc tentam negociar um acordo humanitário com o governode Uribe para trocar 44 reféns, entre os quais a ex-candidatapresidencial Ingrid Betancourt e três norte-americanos, por 500rebeldes presos. Mas a postura inflexível adotada por ambas as partes temimpedido uma solução do drama dos reféns, alguns dos quaisestão há dez anos no cativeiro, vivendo em áreas de matafechada. Em janeiro, as Farc entregaram a Chávez as políticascolombianas Clara Rojas e Consuelo González e, há duas semanas,comprometeram-se com libertar três ex-congressistas atualmentedoentes. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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