Colômbia diz que equatoriano morto pertencia às Farc

General afirma que cidadão vítima de incursão era militante responsável pela logística da guerrilha no Equador

Efe,

25 de março de 2008 | 13h17

O comandante do Exército da Colômbia, general Mario Montoya, afirmou nesta segunda-feira, 25, que o equatoriano morto no acampamento em que Raúl Reyes foi morto também era membro ativo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O Equador pediu na segunda-feira que a Organização dos Estados Americanos (OEA) analise a morte durante uma operação militar colombiana e alertou que o caso é importante para criar um "ambiente de confiança" entre os dois países.   Veja também: Quito recorre à OEA por equatoriano morto em ataque às Farc Por dentro das Farc  Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região     A identidade do homem, que as autoridades colombianas admitem ser o equatoriano morto em 1 de março no ataque a um acampamento das Farc no Equador, reacendeu a crise diplomática entre os dois países. O ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, anunciou que entregará à Organização dos Estados Americanos (OEA) "toda a documentação" do equatoriano.   "Pensávamos que o morto era Julián Conrado, mas estão dizendo que é Franklin Guillermo Aisalia Molina (...) Ao revisar nossos arquivos, ficamos surpresos ao ver que é o próprio Franklin Aisalia Molina, conhecido como Lucho (...) membro ativo das Farc", disse Montoya à rádio Caracol. "Lucho, junto com Esperanza (Nubia Calderón Trujillo), era encarregado de prestar assistência logística (em território equatoriano) aos líderes (das Farc) que chegavam a Quito", acrescentou Montoya. Lucho e Esperanza viajavam freqüentemente entre Quito e Sucumbíos, na região fronteiriça entre a Colômbia, acrescentou Montoya. O chefe do Exército colombiano insistiu que "todo esse trabalho de inteligência, de informação" foi comunicado às autoridades equatorianas na época.   Com a captura de Simón Trinidad, cujo verdadeiro nome é Ricardo Ovidio Palmera, em Quito, em janeiro de 2004, que foi entregue pelo Equador à Colômbia e depois extraditado aos Estados Unidos, as autoridades colombianas "deram por terminada a primeira fase da operação", segundo Montoya. No entanto, o general destacou que, com a detenção, "as Farc foram alarmadas" e que as autoridades colombianas sabiam que através de Lucho e Esperanza poderia chegar a outros personagens. "A verdade é que Lucho morreu no acampamento de Raúl Reyes", afirmou.   Montoya também disse que confia que as autoridades equatorianas irão fornecer as identificações dos 25 mortos no bombardeio do acampamento dos guerrilheiros. A operação foi executada com aviões colombianos, mas "por prudência e por segurança nacional" não foram dados mais detalhes, destacou Montoya sobre as versões que dizem que unidades aéreas de outro país participaram do bombardeio. "O resto é invenção", concluiu".   Ao saber da morte do equatoriano, o presidente Rafael Correa disse que o problema é "grave" e as relações com a Colômbia podem piorar ainda mais. "O assassinato não ficará impune", afirmou."Recebemos instruções para conduzir relações diplomáticas fraternas e eficazes, e pretendemos restabelecer as relações com o Equador e prosseguir com a agenda positiva que estava sendo construída", acrescentou Araújo.   O ministro da Defesa do Equador, Wellington Sandoval, disse que a relação com a Colômbia deve ser prejudicada com a morte de Aisalia: "O assunto, obviamente, complica (a relação), porque um equatoriano foi morto num ataque de outro país em solo equatoriano." Já seu colega colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou: "Não entendo por que o Equador criaria problemas por isso. Qualquer um num campo terrorista corre um risco muito alto, porque é um alvo militar legítimo. Não fica bem para o presidente Correa defender uma pessoa que possa ter tido conexões com as Farc."   Aliado de Correa, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aconselhou seu colega colombiano, Álvaro Uribe, a "tomar cuidado com porta-vozes de guerra como seu ministro da Defesa", para não agravar a crise.   (Com Associated Press e Reuters)

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