Colômbia diz que Farc queriam fabricar 'bomba suja'

A Colômbia afirmou nesta terça-feiraque as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)planejavam fabricar uma "bomba suja" com material radioativo, oque representaria uma ameaça para a América Latina. As acusações foram feitas pelo vice-presidente do paísandino, Francisco Santos, na Conferência de Desarmamento daOrganização das Nações Unidas (ONU), e aumentam a tensão entreo país com Venezuela e Equador, que suspenderam seus vínculosdiplomáticos com a Colômbia. Bogotá acusou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, definanciar as Farc, após tropas colombianas terem matado RaúlReyes, o número 2 das Farc, num ataque a um acampamento daguerrilha em território equatoriano. O ataque despertoumovimentos militares nas fronteiras entre os países. De acordo com Santos, materiais encontrados noscomputadores de Reyes continham "informação enviada de umcomandante a outro que indica que as Farc estavam aparentementenegociando material radioativo, a base principal para gerararmas sujas de destruição em massa e terrorismo". Segundo o vice-presidente, os dados iniciais, verificadoscom apoio internacional, mostraram que "grupos terroristas,baseados no poder econômico do tráfico de drogas, constituemuma séria ameaça não só ao nosso país, mas também a toda regiãoandina e latino-americana". A Colômbia informou no sábado que suas tropas haviam matadoReyes, num ataque considerado a maior vitória das forçascolombianas contra a guerrilha mais antiga da América Latina.Entretanto, Reyes era o contato de países como França e Equadorpara negociar a libertação de reféns em poder das Farc naselva, incluindo a franco-colombiana Ingrid Betancourt. Em Bogotá, o alto comissário do governo para a paz, LuisCarlos Restrepo, disse que os arquivos achados nos computadoresfazem referência à disponibilidade de 50 quilos de urânio. "Dá-se a entender que há alguém no estrangeiro que estádisposto a vender-lhes, inclusive fala-se de preços que onegócio já está pronto, e que pura e simplesmente devem fazerum contato e dar o consentimento", disse Restrepo à rádioCaracol. "Não sabemos com que propósito, não fica muito claro nosdocumentos, quer dizer, para onde iria isto, mas isso já mostraque são um perigo para a humanidade, quer dizer, isso já não éuma brincadeira de crianças", disse o alto comissário. (Por Jonathan Lynn, com reportagem adicional de NelsonBocanegra em Bogotá)

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