Colômbia diz que seqüestro de Emmanuel é 'absurdo'

Farc reconhecem que não estão com a criança e acusam Bogotá de levar o menino para sabotar libertação

Agências internacionais,

05 de janeiro de 2008 | 14h37

O alto comissário para a Paz colombiano, Luis Carlos Restrepo, classificou como "mentirosa, incoerente e absurda" a reação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que acusaram o governo do presidente Álvaro Uribe de haver "seqüestrado o menino com o propósito de sabotar" sua libertação. Veja também:Farc admitem que não estão com filho de refémEntenda a situação dos reféns na Colômbia   A guerrilha admitiu na noite de sexta-feira, 4, que a criança encontrada em um orfanato em Bogotá pelo governo colombiano é Emmanuel, filho da refém Clara Rojas, nascido em cativeiro. O grupo afirmou que a libertação do menino, assim como da sua mãe ex-assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt (também seqüestrada), e a da ex-congressista Consuelo González de Perdomo, não aconteceu no final de 2007 por conta de operações do Exército colombiano. Uribe rebateu a informação e afirmou que os reféns não foram soltos porque a guerrilha não estava com o menino. Nesta sexta-feira, o resultado de um exame de DNA divulgado pelo governo colombiano já indicava que o menino, registrado no orfanato com o nome de Juan David Gómez, era da família de Clara Gonzalez Rojas, avó materna de Emmanuel. Restrepo rechaçou o pronunciamento das Farc após a divulgação do resultado e afirmou que "o país já está acostumando com as mentiras" da guerrilha. O alto comissário disse ainda que "não vale a pensa focar e analisar os despropósitos das Farc" e assinalou que "o que se pode levar em conta do comunicado é que eles reiteraram que vão libertar Clara e Consuelo". Ele ainda insistiu que agora o grupo rebelde colombiano deve cumprir o compromisso de libertar os reféns prometidos e garantiu que o governo de Uribe mantém as garantias para que as duas mulheres sejam entregues para a comissão humanitária, da qual também participam delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A revelação afetou a credibilidade da guerrilha, que havia se comprometido a entregar o menino e dois outros reféns ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segundo a BBC, se concretizada a libertação, será a primeira vez na história do conflito colombiano que as Farc libertam de maneira unilateral um grupo de reféns.  A guerrilha insiste que, para retomar o acordo humanitário para a troca de 45 reféns por 500 guerrilheiros presos, o governo da Colômbia deve promover uma retirada militar dos departamentos colombianos de Pradera e Florida. As negociações foram paralisadas desde que Chávez foi afastado por Uribe da mediação do acordo, em novembro. Custódia Antes do comunicado das Farc, apenas com os resultados do DNA na mão, a avó de Emmanuel, Clara González de Rojas, afirmou em Caracas que solicitaria à Casa de Bem Estar Familiar da Colômbia a custódia da criança.  "Estou feliz em saber que ele está livre. Mas minha felicidade ainda não é completa", disse Clara González de Rojas, que teve sua filha seqüestrada em 2002.

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