Colômbia diz que Venezuela deportou centenas de garimpeiros

Mais de 400 trabalhadores foram expulsos sem aviso prévio de Puerto Inírida, na fronteira entre os países

Efe e Reuters,

01 de dezembro de 2009 | 11h18

A Venezuela expulsou centenas de mineiros da Colômbia e de outros países, incluindo brasileiros, afirmou na segunda-feira, 30, o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva. Segundo ele, as expulsões ocorreram sem qualquer tipo de aviso, levando caos a uma parte da fronteira entre Venezuela e Colômbia.

 

"Nós vamos reportar essa espécie de desalojamento forçado para autoridades de direitos humanos internacionais, pois ela viola os direitos humanitários internacionais", afirmou Silva após chegar a Puerto Inírida, cidade 30 quilômetros distante da fronteira com a Venezuela. Na visita, o ministro entregou um pacote de auxílio humanitário para aproximadamente mil pessoas.

 

A expulsão dos cerca de 400 mineiros é mais um episódio a levar tensão às relações entre Colômbia e Venezuela. O governo do presidente Hugo Chávez é um duro crítico do acordo entre Bogotá e Washington regulando a presença de tropas americanas em bases militares no território colombiano. Caracas afirma que o pacto é uma ameaça à segurança da região, apesar de os colombianos garantirem que a única intenção é combater guerrilheiros no próprio país.

 

Os mineiros aparentemente trabalhavam ilegalmente em uma mina na Amazônia venezuelana, quando a operação foi de repente fechada pela Guarda Nacional da Venezuela, disse Silva. "Eles nos disseram para ir embora pois estávamos trabalhando ilegalmente", contou um dos mineiros, Pedro Matias, à Rádio RCN.

 

Os mineiros expulsos eram de Colômbia, Brasil, Equador e Peru. Antes, eles estavam vivendo na cidade venezuelana de San Fernando de Atabapo. Com a chegada dos trabalhadores, o município venezuelano de apenas 11 mil pessoas ficou lotado, sofrendo com a falta de comida e abrigo para os novos habitantes

 

Silva disse que a deportação em massa foi "inesperada e não anunciada, não deixando tempo para nos preparar para receber as pessoas em condições humanitárias". Segundo o ministro, havia 100 brasileiros no grupo de aproximadamente mil pessoas. Silva afirmou que a Colômbia estava em contato com o Brasil e outros países para organizar a repatriação dos estrangeiros. O governo venezuelano não se manifestou sobre o caso.

 

"A informação que nos deram é de que foi uma pressão dos venezuelanos que os obrigou a voltar. Eles estão assustados, e foi o medo que os fez voltar", disse Diego Molano, diretor de um programa de assistência social da presidência da Colômbia, em nota.

 

Os dois países têm uma porosa fronteira de 2.200 quilômetros, onde há intensa movimentação de traficantes, contrabandistas e guerrilheiros, além de grande incidência de homicídios e sequestros.

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