Colômbia duvida que chefe das Farc tenha morrido por enfarte

Ministro da Defesa pede autópsia de Manuel Marulanda e suspeita que ele tenha morrido em ataque aéreo

Agências internacionais,

26 de maio de 2008 | 07h50

O governo colombiano mantém dúvidas sobre a causa da morte do fundador e líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Pedro Antonio Marín - mais conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo", segundo aponta a edição desta segunda-feira, 26, do jornal El Pais. Ao contrário do que afirma a guerrilha, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, o chefe dos rebeldes pode não ter morrido de causas naturais, mas sim durante a ofensiva do Exército na região de seu acampamento.  Veja também:Comandante escolhido é visto como ''amante da boa vida''  Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região  Timochenko confirma a morte de Tirofijo   Santos explicou que os serviços de inteligência colombianos localizaram o acampamento do guerrilheiro e fizeram operações importantes na região entre os dias 20 e 30 de março. O ministro pediu ainda que as Farc realizem uma autopsia para determinar as verdadeiras causas da morte de Tirofijo. Santos, por seu lado, afirmou que a morte de Tirofijo encerra um capítulo das Farc. "A guerrilha completa amanhã 44 anos de luta que só trouxeram dor, sofrimento, violência e morte ao país", disse o ministro. Ele explicou que o governo soube antes da morte de Marulanda porque a inteligência do país interceptou comunicações de membros da cúpula da guerrilha. Santos afirmou que o fim do conflito interno do país - marcado pelo impasse militar, no qual nenhum dos dois lados tem capacidade para derrotar o oponente - está próximo. Ele disse ainda que a nomeação de Cano ampliou as divisões no comando da guerrilha. Segundo ele, o chefe militar das Farc, Víctor Julio Suárez Rojas - conhecido como "Mono Jojoy" -, também era um dos possíveis sucessores.  Irmão guerrilheiro O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, expressou no Uruguai suas "condolências" e "solidariedade" pela morte do máximo chefe e fundador das Farc, e destacou que Tirofijo foi um "lutador extraordinário". "Eu quero expressar minhas condolências, minha solidariedade para com as Farc e para com a família do comandante Marulanda", como era conhecido Pedro Antonio Marín, indicou durante a cerimônia do XIV Foro de São Paulo. "Nosso irmão (...) foi um lutador extraordinário, que batalhou desde longos anos e foi o guerrilheiro de mais longa luta na história da América Latina e do Caribe", destacou o líder em meio a aplausos dos participantes do evento. Ortega destacou que a luta de Marulanda e das Farc "tem suas origens nas profundas desigualdades que vive o povo irmão colombiano". Essa luta "tem suas raízes no norte, esse norte que representam os Estados Unidos e a Europa e que também havia sido estabelecido no sul", argumentou. "Que autoridade pode ter o regime colombiano, os ianques e os europeus de definir quem é terrorista e quem não é?", perguntou o governante nicaragüense diante do Foro de São Paulo, no qual participam 200 delegados de partidos políticos e organizações sociais de esquerda da América Latina e do Caribe.

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