Colômbia e Farc retomam negociações de paz

O governo da Colômbia e a guerrilha marxista Farc se sentam à mesa nesta segunda-feira, em Havana, para sua primeira negociação de paz em dez anos.

JEFF FRANKS, Reuters

19 de novembro de 2012 | 09h47

O conflito se arrasta há quase meio século e, resistindo a três tentativas anteriores de acordo, já causou milhares de mortos e deixou milhões de refugiados internos.

Mas desta vez o governo e a guerrilha demonstram mais otimismo.

Os negociadores do governo e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vão se reunir no principal centro de convenções de Havana, numa parte da cidade chamada Cubanacan, habitada principalmente por diplomatas estrangeiros.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, deseja um acordo dentro de nove meses, mas os dois lados terão muitas questões espinhosas a resolver na sua pauta de cinco itens. Ela começa com o desenvolvimento rural, passando em seguida para temas como o futuro político e jurídico dos rebeldes, o fim definitivo do conflito, o problema do narcotráfico e a compensação para vítimas da guerra civil.

"Esperamos, como espera a maioria dos colombianos, que as Farc demonstrem que consideram este um momento para a força das ideias, não para a força das balas", disse o negociador governamental Humberto de la Calle, no domingo, ao partir de Bogotá para Havana.

O conflito começou em 1964, quando as Farc surgiram como um movimento agrário comunista, decidido a reverter o longo histórico de desigualdades sociais na Colômbia.

O grupo perdeu força por causa de uma ofensiva militar patrocinada pelos EUA desde 2002, e que reduziu seu contingente para cerca de 8.000 guerrilheiros, concentrados principalmente em remotas zonas de selvas e montanhas.

Mas os rebeldes continuam sendo capazes de realizar ataques, e críticos dizem que nos últimos anos as Farc se financiam principalmente com o narcotráfico, com sequestros e com "impostos de guerra" cobrados nos territórios sob seu controle.

Os líderes da guerrilha negam relação com o narcotráfico, e neste ano renunciaram aos sequestros. EUA e União Europeia, no entanto, continuam qualificando as Farc como um grupo terrorista.

Iván Márquez, membro do secretariado das Farc, irá comandar uma delegação com cerca de 30 pessoas na negociação, lançada formalmente no mês passado na Noruega.

A Noruega, junto com Cuba, atua como observadora do processo.

As autoridades desejam manter as negociações sob estrito sigilo, provável razão para sua realização em Cuba - cujo governo é especialista em reter informações e manter a imprensa afastada.

Chile e Venezuela também terão observadores no processo.

(Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta em Bogotá)

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