Colômbia endurece acusação de ligação entre Correa e Farc

O presidente da Colômbia, AlvaroUribe, acusou na sexta-feira seu colega do Equador, RafaelCorrea, de buscar um acordo político e receber dinheiro dasFarc, segundo documentos apreendidos com o grupo guerrilheiro. Uribe revelou uma série de supostas cartas dos altoslíderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)que revelariam ligações do movimento com funcionários da equipede Correa e deu a entender que estes acordos garantiam apoio aolíder nacionalista equatoriano na campanha que o levou ao poderem janeiro de 2007. "Aqui estão as cartas...Há acusações à campanha e aintegrantes do governo", disse Uribe, que assegurou que adocumentação será enviada à Justiça para que seja analisada. As cartas fazem uma relação de eventos que ocorreram narecente história política do Equador e da região, comreferências à existência de um suposto emissário oficial e domovimento político de Correa. "O secretariado está de acordo em proporcionar ajuda aosamigos do Equador. A minha proposta foi de 20.000 dólares",disse Uribe, citando uma carta do líder máximo das Farc, ManuelMarulanda, ao porta-voz do grupo, Raúl Reyes, morto por forçascolombianas no último fim de semana. A carta seria de outubrode 2006. A denúncia do presidente colombiano ocorreu durante oencontro do Grupo do Rio, que acontece na República Dominicana,no contexto da disputa diplomática entre Equador e Colômbiadevido a incursão de tropas colombianas em territórioequatoriano que culminou com a morte de Reyes, considerado onúmero dois do grupo guerrilheiro. Anteriormente, Uribe já havia acusado Correa de terimpulsionado um acordo de convivência pacífica e apoio políticocom as Farc, através de operações humanitárias, como alibertação de reféns em poder da guerrilha. O presidente equatoriano rejeitou, visivelmente incomodado,as acusações de Uribe e reiterou que o conflito não se limita aseu país e sim a toda a região latino-americana. "Em nome dos soldados mortos, dos campesinos mortos numconflito que não é nosso, rejeito essa informação de que ogoverno de Rafael Correa colabora com as Farc", declarouCorrea, que recebe apoio de seu aliado, o presidentevenezuelano Hugo Chávez. Ele disse ainda que os contatos com a guerrilha estavamprestes a dar como fruto a libertação de reféns, entre eles aex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt. "Sabiam(o governo colombiano) que estávamos às vésperas de umalibertação de reféns", acusou Correa. O presidente equatoriano garantiu que formará uma comissãoindependente para investigar as denúncias de Uribe e que elapode ser integrada por líderes da oposição a fim de demonstrarque ele não tem um acordo com o movimento guerrilheiro. (Por Enrique Andrés Pretel, com a colaboração de AlexandraValencia e Carlos Andrade García em Quito)

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