Colômbia entrega a Equador dados sobre incursão militar contra as Farc

Ataque contra acampamento em 2008 irritou Quito; iniciativa aponta melhora nas relações

Reuters

19 de novembro de 2010 | 08h50

QUITO - A Colômbia entregou na quinta-feira novas informações ao Equador sobre a incursão de seu Exército no território vizinho, em 2008, que destruiu um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A medida representa um avanço no restabelecimento pleno das relações diplomáticas entre os dois países

O governo equatoriano havia exigido da Colômbia a entrega de informações detalhadas sobre a incursão militar de março de 2008, como um passo para recuperar a confiança entre as duas nações e restabelecer os vínculos formais, rompidos desde a ação armada.

"Implica avançar nas informações requeridas e na transparência. Com isso, temos que esperar que os requerimentos dos temas sensíveis tenham sido atendidos. Pretendemos nos próximos dias analisar os documentos", disse a jornalistas o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, depois de um encontro com a chanceler da Colômbia, María Angela Holguín.

 

"Esta relação está se fortalecendo ainda mais (...) nos permite ir ganhando a confiança que uma vez foi prejudicada", acrescentou. A informação entregue foi classificada como confidencial pelas autoridades, mas Patiño destacou que com os documentos os requerimentos do Equador foram "atendidos".

O Equador levará algum tempo para analisar a informação, recebida antes de os dois países retomarem plenamente seus vínculos formais.

O governo colombiano também confirmou nesta sexta-feira que uma jovem equatoriana estava entre os 16 guerrilheiros das Farc mortos durante um bombardeio dos militares a um acampamento rebelde numa região de selva no sul da Colômbia, na segunda-feira.

No encontro dos chanceleres, o Equador expressou sua satisfação com a presença militar do lado colombiano da fronteira, mais uma das demandas equatorianas, e a confirmação da Colômbia de que a incursão não teve nenhuma ajuda de forças estrangeiras.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, havia qualificado a ação militar colombiana como uma violação à soberania de seu país. O incidente ameaçou desatar uma crise regional. Na operação, o líder guerrilheiro Raúl Reyes foi morto junto com outras 24 pessoas, incluindo um equatoriano.

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