Colômbia entrega provas contra Venezuela a seu embaixador na OEA

Documentos serão apresentados amanhã para provar a presença de guerrilha em território venezuelano

Efe,

21 de julho de 2010 | 20h48

BOGOTÁ- O governo da Colômbia entregou nesta quarta-feira, 21, a seu embaixador na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, as provas que serão apresentadas amanhã no organismo mundial sobre a presença de guerrilheiros das Farc e do ELN em território venezuelano.

 

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O ministro colombiano de Defesa, Gabriel Silva, disse hoje que a apresentação dos documentos - mapas e vídeos que seriam provas de que os rebeldes estão no país vizinho - será feita pelo embaixador Hoyos.

 

"O que o Ministério de Defesa fez foi colaborar com o embaixador da Colômbia na OEA, entregando a ele toda a informação de que precisa neste sentido para que as apresente" ao órgão, disse Silva a jornalistas.

 

O ministro afirmou que a via diplomática usada pela Colômbia nesta ocasião com a Venezuela é uma demonstração de que seu país sempre buscou o diálogo, e que espera que os demais países se comportem da mesma maneira.

 

Segundo Silva, as provas são contundentes e possibilitam um debate nos organismos internacionais pelos canais diplomáticos.

 

"o debate é necessário e não entendemos porque não deveria ser levado a cabo, porque é um requisito e uma solicitação legítima da Colômbia no marco do direito internacional e dos estatutos da OEA", defendeu.

 

Hoyos disse nesta manhã que a Colômbia não pretende que o governo da Venezuela seja condenado pela OEA com sua petição de uma reunião extraordinária e disse que o que interessa é que seu vizinho do norte "coopere, como é sua obrigação".

 

A reunião foi convocada para amanhã em Washington, após o governo da Venezuela ter negado as acusações colombianas de que importantes chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) estão em território venezuelano.

 

Em uma entrevista à rádio Caracol, Hoyos destacou que o governo colombiano "não está falando neste momento de sanções, mas sim da busca de cooperação" da Venezuela.

 

Recentemente, a OEA facilitou avanços para a normalização das relações colombianas com o Equador, após uma ofensiva da Colômbia contra um acampamento das Farc em território equatoriano que rompeu as relações entre os dois países.

 

O embaixador equatoriano na OEA, Francisco Proaño, renunciou hoje ao cargo para não se ver obrigado a convocar a reunião solicitada pela Colômbia, pois, segundo disse, o chanceler de seu país, Ricardo Patiño, queria adiá-la para buscar outras vias para solucionar a nova crise entre Venezuela e Colômbia.

 

As relações entre Bogotá e Caracas estão congeladas desde 28 de julho de 2009 por decisão do presidente venezuelano após a acusações colombianas de que haveria um suposto desvio de armas da Venezuela para as Farc. Chávez disse que tais alegações são "irresponsáveis".

 

As tensões aumentaram em outubro de 2009, quando a Colômbia assinou um acordo com os Estados Unidos que permite que os americanos utilizem instalações militares no território colombiano para combater o narcotráfico e o terrorismo. Chávez se opõe contundentemente ao acordo, principalmente por autorizar os soldados americanos a atuar tão perto de seu país.

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