Colômbia enviará protesto à Nicarágua por asilar guerrilheira

Decisão 'contraria resoluções da ONU', diz chanceler colombiano; asilo de rebelde das Farc foi dado no domingo

Efe e Ansa,

19 de agosto de 2008 | 19h25

O governo da Colômbia enviará ao Executivo da Nicarágua uma nota formal de protesto pelo novo asilo concedido por Manágua a uma guerrilheira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), informou nesta terça-feira, 19, o ministro das Relações Exteriores colombiano, Jaime Bermúdez. "A nota contém um protesto formal ao governo da Nicarágua por dar asilo a uma terrorista da Farc", anunciou Bermúdez a jornalistas. Veja também:Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região    No domingo, o governo de Daniel Ortega revelou que concedeu asilo à guerrilheira colombiana conhecida como Esperanza, que, segundo fontes policiais em Quito, como informa o jornal El Tiempo, se trata de Núbia Calderón, namorada de Franklin Aisalla. Ele foi um dos mortos no bombardeio colombiano a um acampamento das Farc em território equatoriano em 1.º de março. Esperanza foi uma das rebeldes feridas na operação. Para o chanceler colombiano, a decisão da Nicarágua "contradiz resoluções das Nações Unidas", "ofende o povo colombiano" e "desvirtua a natureza do asilo político". Bermúdez destacou também que, "no final da nota de protesto, nós afirmamos, como dizia o presidente (colombiano Álvaro Uribe), que essas pessoas, como todas as pessoas que desejem se desmobilizar, poderão obter os benefícios eventuais que tenha a desmobilização." Resposta da Nicarágua O chanceler da Nicarágua, Samuel Santos, disse nesta terça-feira que seu país não quer "irritar ninguém" com a decisão de outorgar asilo político a Esperanza. "Não queremos irritar ninguém. Simplesmente é um direito e uma obrigação humanitária conceder asilo a alguém que o solicita, sem importar a causa", explicou Santos. Ele disse ainda que a guerrilheira "está doente e precisa de assistência médica. Portanto, trata-se de uma obrigação humanitária". "O ser humano deve cuidar do próximo. Temos que avançar nisto: em nos amarmos e cuidarmos uns dos outros", comentou o chanceler nicaragüense à rádio Caracol.

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