Colômbia, Equador e Venezuela selam paz após crise diplomática

Os presidentes de Colômbia,Equador e Venezuela selaram na sexta-feira a paz com um apertode mãos que lhes permitiu dar por superada a crise diplomáticainiciada no sábado com uma ação militar colombiana emterritório equatoriano. A reaproximação ocorreu ao final da 20a Cúpula do Grupo doRio, realizada em Santo Domingo, embora durante todo o dia ospresidentes de Colômbia e Equador trocassem acusações peloincidente, buscando o apoio dos demais governanteslatino-americanos presentes. Equador e Venezuela haviam enviado tropas às fronteiras coma Colômbia e rompido relações com Bogotá em protesto contra aação colombiana contra um acampamento das Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador, que resultou namorte do dirigente rebelde Raúl Reyes. O colombiano Alvaro Uribe buscava um compromisso conjuntode luta contra o terrorismo, enquanto o equatoriano RafaelCorrea esperava que a cúpula aprovasse uma moção condenando aviolação do território de seu país. Nenhum conseguiu o que queria, mas eles saíram do encontrosorridentes e anunciando a intenção de resolver pelo diálogoqualquer diferença. "Com isso, como país, ficaria superado este gravíssimoincidente que tanto dano nos fez", disse Correa em sua últimaintervenção na sessão plenária, após aceitar a proposta doanfitrião, o presidente dominicano, Leonel Fernández, de que osdois presidentes ocupassem o centro do palco e se abraçassem. ACUSAÇÕES MÚTUAS Até então, a tensão entre Bogotá e Quito parecia seagravar, em meio às provas e dados apresentados por ambos natribuna para se atacarem mutuamente. Uribe chegou a dizer queCorrea tinha vínculos com as Farc, ao que o líder esquerdistaequatoriano respondeu chamando o conservador de mentiroso. Correa apenas sorria e balançava a cabeça ouvindo asacusações em tom muito sério que lhe fazia Uribe, únicopresidente que não apareceu na foto oficial da cúpula. "Aqui estão estas cartas", disse o mandatário colombianoagitando na mão documentos apreendidos junto a militantes dasFarc, que segundo Uribe comprovariam seus argumentos. "Que difícil é crer em alguém que mentiu tanto", respondeuCorrea. Depois, numa outra intervenção, Uribe baixou o tom eelogiou os demais participantes por terem feito discursospedindo a paz. "Tomara que o tom de hoje, com exceção do tom dopresidente Correa e do meu no início, se conservasse", disse aoconcluir. "Da minha parte, vou procurar manter isso pela dignidade dopovo colombiano que represento", acrescentou Uribe, o primeirodos três presidentes envolvidos a aceitar a proposta do abraço. Antes, havia repetido o pedido de desculpas pela violaçãoterritorial, mas em momento algum deixou de defender a operaçãomilitar, que resultou na morte de 25 rebeldes além de Reyes. Depois do abraço, Correa deixou claro que "o problemacontinua latente". Em seguida, o anfitrião leu o documento final da Cúpula,que rejeita a incursão militar, mas sem condená-la --a exemplodo que fez uma resolução de quarta-feira da OEA. Além da Venezuela, a Nicarágua também havia se aliado aoEquador e rompido relações com a Colômbia. Manágua mantém um litígio com a Colômbia na CorteInternacional de Haia pela posse de algumas ilhas do Caribe. Nofinal da cúpula, o presidente Daniel Ortega anunciou a retomadadas relações com Bogotá e, depois de apertar a mão com Uribe,ambos disseram estar dispostos a esperar a decisãointernacional sobre a disputa. Já Chávez, que na quarta-feira mobilizou tropas para afronteira, afirmou que o conflito obedece a um planoorquestrado por seu arquiinimigo, os Estados Unidos, paradividir a América Latina. Mas, ao contrário de outros discursos, mais agressivos, opresidente venezuelano usou um tom calmo e propôs "esfriar ascabeças". "Chamo à reflexão. Se nós queremos voltar à calma [...],ponhamos a cabeça fria. Nos disseram cem coisas, bem, vamoscontinuar? Porque se continuamos com isso a coisa vaiesquentando", disse Chávez, que ao final da reunião anunciouque as relações da Venezuela com a Colômbia vão se normalizar eque reabrirá a fronteira com o país vizinho. (Com reportagem adicional de Patrick Markey e CarlosAndrade em Quito)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.