Colômbia espera 'fatos concretos' após apelo de Chávez às Farc

Presidente venezuelano pede que guerrilha colombiana liberte seqüestrados incondicionalmente

Efe e Associated Press,

09 de junho de 2008 | 13h28

O governo colombiano expressou sua esperança de que a nova atitude do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de pedir que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pela libertação incondicional dos reféns, se traduza em fatos concretos. O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, se referiu ao pedido que Chávez fez neste domingo às Farc para libertarem os reféns "em troca de nada" e à afirmação que a tática de guerrilha não tem lugar no mundo atual. "Tomara essa atitude (de Chávez) se traduza em fatos concretos. Seria uma notícia muito boa", declarou a várias emissoras colombianas.   Veja também: Chávez pede que Farc encerrem luta armada e libertem reféns Mapa da influência de Chávez na AL  Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região     As Farc têm em seu poder 39 políticos, soldados, policiais e americanos que desejam trocar por 500 rebeldes presos na Colômbia, mas para isso exigem a desmilitarização temporária dos municípios de Florida e Pradera, condição que o Governo colombiano não aceita. O presidente da Venezuela intermediou para que as Farc libertassem unilateralmente em janeiro e fevereiro seis políticos que mantinham cativos.   O ministro também disse acreditar no apoio da população. "Acredito que os vizinhos nos ajudarão a combater os grupos terroristas, e isso será uma afirmação magnífica se for traduzida em fatos e uma grande notícia porque isso indica que o fim das Farc está próximo", disse.   Santos acrescentou que "a forma como Chávez falou não o ajuda internacionalmente com as Farc". O ministro destacou a operação da semana passada, que resultou na prisão do rebelde conhecido como Abraham, integrante da segurança de Jorge Briceño, também chamado de El Mono Jojoy, um dos membros da cúpula das Farc. "Abraham nos contou que 'El Mono Jojoy' está muito mal e que há mais ou menos 15 integrantes em seu círculo e (...) que chegamos muito perto dele, continuaremos a persegui-lo", disse.   Colômbia e Venezuela compartilham uma conflituosa fronteira de 2.219 quilômetros, e seus governos tiveram problemas diplomáticos nos últimos anos, já que Bogotá acusa Caracas de ser tolerante com a guerrilha. Enquanto isso, a Venezuela acusa a Colômbia de não combater as guerrilhas, paramilitares e narcotraficantes para impedir que o conflito se dirija em direção ao território venezuelano.   Segundo a BBC, o presidente da Venezuela, que em janeiro atuou como mediador para a libertação unilateral de seis seqüestrados pela guerrilha, fez um apelo para que o novo líder das Farc, Alfonso Cano, liberte o grupo que ainda está em cativeiro pelo grupo armado. "Vamos soltem toda essa gente, há anciãos, mulheres, soldados doentes que têm 10 anos presos, já basta", disse Chávez, ao afirmar que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e outros mandatários latino-americanos e europeus estão dispostos a trabalhar em favor de um acordo de paz na Colômbia. "Já basta de tanta guerra, já chegou a hora para sentar-se a falar de paz, chamamos a todos a buscar esse caminho", afirmou.    

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