Colômbia extradita líder das Farc e dificulta negociação

Ida de guerrilheiro aos EUA faz com que troca de reféns por combatentes torne-se ainda mais complicada

Agências internacionais,

20 de setembro de 2007 | 20h02

As autoridades colombianas extraditaram nesta quinta-feira, 20, a um líder da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) aos Estados Unidos, sob a acusação de narcotráfico, o que dificultará ainda mais uma troca de reféns seqüestrados pelo grupo por combatentes encarcerados. As Farc exigem que em troca dos reféns o governo colombiano liberte a seus combatentes que cumprem sentenças de prisões, tanto na Colômbia quanto nos EUA. A polícia colombiana informou em comunicado que extraditou aos EUA Erminso Cabrera, conhecido como "mincho", a quem considera "o terceiro líder em importância das Farc" cuja extradição é pedida pelos EUA. Cabrera se unirá assim a Ricardo Palmera, conhecido como Simão Trindade, e a Nayibe "Sonia" Rojas, ambos já presos nos EUA, o que indica mais um obstáculo para um acordo humanitário entre o governo do presidente Álvaro Uribe e as Farc. Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc, assegurou à AP que a extradição de Cabrera é "uma maneira muito sutil de complicar o acordo" já que à libertação dos guerrilheiros presos pelo governo colombiano, se agrega agora a libertação dos três guerrilheiros extraditados aos EUA e encarcerados em prisões estadunidenses. O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, assegurou que "o acordo não deverá influir em nada sobre o que estamos fazendo normalmente, nem nas extradições." Segundo a polícia, Cabrera "era o chefe de finanças e o encarregado de comercializar e enviar mais de 10,000 quilos de cocaína por mês a vários países, entre eles os Estados Unidos," quando foi capturado em dezembro de 2004. Os EUA pediram a extradição de Cabrera "para que compareça a juízo pelo delito de formar quadrilha para importar, fabricar e distribuir cocaína", segundo uma corte distrital de Washington. Cabrera é o primeiro integrante das Farc, de uma lista de 50 membros, que foram acusados de narcotráfico e tiveram pedidos de extradição feitos pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2006 sob a acusação de narcotráfico. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Cabrera supostamente supervisionou a produção e a distribuição de cocaína. Aparentemente, Cabrera é irmão de José Benito Cabrera, de codinome "Fabián Ramírez", um dos integrantes do estado maior das Farc. A libertação de Rojas e de Palmera é um dos pontos mais difíceis para uma eventual troca de prisioneiros, já que o governo americano só pode libertá-los através de um indulto presidencial. As Farc pedem, em troca da libertação dos 45 reféns que mantém seqüestrados, que o governo da Colômbia liberte a centenas de guerrilheiros encarcerados. As Farc também exigem que seus integrantes presos nos EUA sejam libertados. Entre os 45 reféns, estão a ex-senadora Betancourt e três americanos que trabalhavam com o Exército da Colômbia quando foram capturados. O embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, William Brownfield, disse na semana passada que prefere não comentar se a Casa Branca daria um indulto a Rojas e a Palmera para facilitar a troca humanitária. A senadora colombiana Piedad Córdoba, que junto ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, faz gestões a favor da troca de prisioneiros, deverá visitar nos próximos dias aos guerrilheiros presos nos EUA para lhes levar uma "saudação humanitária." Ainda não está claro se obteve permissão para fazê-lo. A mediação de Chávez despertou as esperanças de muitos familiares, como no caso de Jo Rosano, mãe de um dos três americanos que trabalhavam na Colômbia, Marc Gonsalves, que disse estar muito agradecida à mediação do presidente Chávez: "ele está fazendo algo que ninguém mais quer ou pode fazer." Sarkozy e Uribe O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, discutirão a "complexa e difícil" questão dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em reunião em Nova York na próxima semana, informou nesta quinta-feira o Palácio do Eliseu. Esta será uma reunião "indispensável", porque desde o primeiro momento Sarkozy quis discutir esta questão em "estreito consenso" com o presidente da Colômbia, afirmou o porta-voz do Palácio do Eliseu, David Martinon, em entrevista coletiva. Os presidentes de França e Colômbia se encontrarão em Nova York, onde participarão da semana inaugural da Assembléia Geral da ONU. Enquanto isso, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, busca reforçar seu papel de mediador na busca de uma troca humanitária entre os chamados "reféns passíveis de troca" e rebeldes presos. Os esforços de Chávez para obter a libertação dos reféns contam com o apoio de Sarkozy, e o presidente venezuelano deverá se reunir no dia 8 de outubro com o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, na Venezuela. Sarkozy, que conversou por telefone com Chávez, certamente conversará com ele novamente antes da reunião de 8 de outubro, segundo Martinon. Era "evidentemente indispensável" que Sarkozy utilizasse o apoio de Chávez para uma mediação, mas "este processo será feito de acordo com as autoridades colombianas", ressaltou o porta-voz. Perguntado sobre as informações segundo as quais Betancourt, refém das Farc há mais de cinco anos, está bem de saúde, Martinon se mostrou prudente e disse que a França continua à espera de "uma prova de vida".

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