Colômbia finalmente consegue atingir liderança das Farc

O assassinato de dois líderes rebeldesda Colômbia em menos de uma semana, um dos quais foi traído emutilado por seu próprio guarda-costas, pôs fim a quatrodécadas de fracassos nos esforços realizados pelo governocolombiano para atingir a liderança máxima da guerrilha ForçasArmadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As Farc nunca tinham antes perdido membros de seusecretariado -- com sete integrantes -- de forma que as duasmortes consecutivas significam um golpe histórico contra ogrupo rebelde. Os combatentes da guerrilha, que sentem os reflexos de umaofensiva lançada pelo governo seis anos atrás, desertam emnúmeros recorde, oferecendo informações para um Exército queatua com o apoio de bilhões de dólares enviados pelos EstadosUnidos, incluindo consultores militares que ajudam a planejaros ataques. Os guerrilheiros continuam a realizar sequestros e aexplodir instalações do setor energético como parte de suacampanha militar, mas oficiais das Forças Armadas acreditam queo grupo embarcou em um lento processo de implosão. Mesmo membros da oposição admitem que o presidentecolombiano, Alvaro Uribe (um político conservador), começou aapresentar sinais de resultados concretos. Raúl Reyes, o número 2 das Farc, morreu no dia 1o de marçoem um ataque realizado dentro do Equador e que provocou umacrise diplomática na região. O Exército descobriu o paradeirode Reyes ao rastrear uma ligação por telefone via satéliterealizada por ele. Iván Ríos, um outro membro do secretariado das Farc, foimorto a tiros na semana passada pelo chefe da segurança pessoaldele. O responsável pela ação disse mais tarde que o moral daguerrilha nunca esteve tão baixo. "É aceitável perder um líder como Reyes em um ataqueinimigo, mas a forma como Ríos morreu mostra a degradaçãointerna nas Farc", afirmou Alvaro Jimenez, analista de políticae ex-membro do grupo esquerdista hoje extinto M-19. Uribe elegeu-se pela primeira vez em 2002 prometendoesmagar as Farc. A confiança dos investidores está aumentando eo presidente colombiano continua a ter altos índices depopularidade, apesar de escândalos ligando alguns de seusprincipais assessores a esquadrões da morte de direita. Muitos colombianos acreditam que as Farc realizarão umacontra-ofensiva para mostrar que ainda possuem força. Algunsanalistas, no entanto, duvidam. "Como os líderes das Farcconseguirão planejar um ataque se não podem falar em seustelefones ou confiar em seus guarda-costas?", perguntou umdiplomata que trabalha em Bogotá. O grupo ainda controla grandes áreas do sul colombiano nasquais se produz cocaína. As estimativas sobre o número deintegrantes do grupo variam entre 8.000 e 17 mil. PRÊMIOS EM DINHEIRO O governo afirmou que pretende pagar 2,6 milhões de dólaresao guerrilheiro conhecido como Rojas por ter matado Ríos edecepado a mão direita dele para comprovar o ato. Rojas também deve ser julgado por assassinatos e outroscrimes cometidos enquanto esteve nas Farc. O desertor previu que muitos guerrilheiros matarão seussuperiores, já que essa seria uma forma lucrativa de abandonara luta armada. Os rebeldes e os paramilitares de direita que depuseramsuas armas podem ser condenados a penas máximas de oito anos deprisão por crimes como o tráfico de drogas e assassinatos. As Farc mantêm sob seu controle centenas de reféns, entreos quais três norte-americanos e a política franco-colombianaIngrid Betancourt. Nas últimas semanas, a fim de ganhar algumrespaldo da comunidade internacional, o grupo libertou seisreféns políticos que mantinha cativos havia anos. "Há um efeito de bola de neve no qual o moral das Farcdiminui e mais combatentes desertam, fornecendo maisinformações ao Exército, o que permite planejar melhor osataques", disse Ricardo Ávila, um comentarista que mora emBogotá."Não estou dizendo que esse é o começo do fim das Farc, masisso pode ser o começo de um processo que avançaria nessadireção", afirmou.

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