Colômbia investiga presença de armas em prisão de paramilitares

As autoridades colombianas investigavamna quinta-feira como uma granada, uma pistola e o equivalente amilhares de dólares em dinheiro foram levados para dentro deuma prisão de segurança máxima que abriga comandantesparamilitares desmobilizados. Os chefes das milícias de direita, que depuseram suas armasapós selarem um acordo de paz com o presidente Alvaro Uribe emtroca de cumprir penas de prisão mais curtas, podem perder osbenefícios do acordo e serem extraditados para os EUA se osinvestigadores conseguirem responsabilizá-los pelos armamentoscontrabandeados para dentro da prisão. A penitenciária de Itagui, localizada perto de Medellín,abriga alguns dos líderes paramilitares acusados de realizarmassacres e traficar drogas durante a violenta guerra contra asguerrilhas marxistas, que continuam envolvidas na mais antigainsurgência rebelde da América Latina. "Estamos esperando pelos resultados a serem apresentadospelo procurador-geral a fim de sabermos quem foram osresponsáveis por essas atividades ilegais ocorridas na prisãode segurança máxima", disse o vice-ministro colombiano daJustiça, Guillermo Reyes, a uma rádio do país. A descoberta da arma de mão, da granada de fragmentação ede quase 6.000 dólares em moeda nacional representa o maisrecente golpe contra o processo por meio do qual osparamilitares aceitaram depor suas armas, confessar sua culpaem vários crimes e recompensar as vítimas, conforme prevê oacordo de paz. Um dos benefícios que conseguiram foi a suspensão de todosos mandatos de extradição para os EUA. O ex-comandante paramilitar Carlos "Macaco" Jimeneztransformou-se, em agosto, no primeiro chefe de milícia aperder os privilégios do acordo de paz. O fato deu-se após as autoridades colombianas terem acusadoJimenez de continuar, de dentro de sua cela, realizandoatividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas. Formadas na década de 80 por grandes proprietários de terrapara enfrentar os rebeldes marxistas, os paramilitares logopassaram a controlar grandes áreas onde a presença do Estadoera tênue. Esses grupos realizaram massacres e sequestros,algumas vezes em conluio com as Forças Armadas. Durante o governo de Uribe, mais de 30 mil combatentesparamilitares abandonaram as armas. E o presidente atribui aesse programa parte da responsabilidade pela queda nos índicesde violência em meio ao conflito iniciado 40 anos atrás. Mas grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que ogoverno comporta-se de forma excessivamente leniente com osparamilitares, que, segundo alegam aqueles grupos, continuamoperando gangues criminosas e não cumpriram as exigências doprocesso de paz, entre as quais confessar seus crimes e pagarindenização para as vítimas. Uribe, um importante aliado dos EUA na região, tambémenfrenta pressões devido a um escândalo no qual congressistasaliados dele são acusados de manterem ligações com esquadrõesparamilitares. Dezenas de legisladores e políticos estão presosou são investigados devido a seus laços com as milícias.

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