Colômbia não descarta acordo político entre Equador e Farc

Governo equatoriano afirma que encontro com representante da guerrilha tinha 'fins humanitários'

Efe,

04 de março de 2008 | 03h33

O Governo colombiano disse nesta segunda-feira, 3, em Bogotá que não descarta que o Executivo do Equador e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) administravam um "acordo com fins políticos", que podia incluir o "trânsito de seqüestrados". Veja também: Dê sua opinião sobre o conflito   Veja a repercussão na imprensa internacional     Por dentro das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela   Militar dos EUA esteve em Bogotá antes de ação contra ReyesEquador rompe relações diplomáticas com a ColômbiaColômbia acusa Chávez de ter dado US$ 300 milhões às FarcOEA pede reunião para resolver crise entre Colômbia e EquadorPerfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das FarcColômbia deve 'pedido de desculpas' ao Equador, afirma AmorimMinistro equatoriano admite que se reuniu com líder das Farc Assim é sugerido pelos documentos achados nos computadores confiscados após a morte do número dois das Farc, "Raúl Reyes", advertiu a Casa de Nariño (sede do Executivo) em comunicado divulgado pelo porta-voz presidencial, César Mauricio Velásquez. A nota foi divulgada horas depois de o diretor da Polícia Nacional, o general Oscar Naranjo, informar à imprensa que, entre os arquivos do chefe insurgente, foram encontrados documentos relacionados com a gestão de um acordo das Farc com o Equador. Naranjo disse que nesta tarefa atuava como representante do presidente equatoriano, Rafael Correa, o ministro de Segurança Interna e Externa do país, Gustavo Larrea, que recentemente tinha se reunido com Reyes. Tanto Correa, como Larrea, admitiram posteriormente a realização deste encontro, mas com fins humanitários, ou seja, em favor das pessoas que as Farc retêm com fins de troca por rebeldes presos. No entanto, o comunicado colombiano adverte que "o acordo que (os equatorianos) estariam negociando com as Farc, segundo o elemento probatório conhecido, seria um acordo com fins políticos, com decisões compartilhadas na nomeação de comandantes militares na zona e para exercer atividades proselitistas". "Isto não tem relação com a justificativa que deu o Governo equatoriano que estaria antecipando ações humanitárias", acrescenta a nota, e especifica que "o que revelam os documentos tem mais características de tráfego de seqüestrados políticos". No mesmo comunicado, o Executivo do presidente Álvaro Uribe se declara surpreso pelas declarações de Larrea "quando afirma que os contatos que mantinha com as Farc eram conhecidos pelo Governo colombiano". "Isto não está certo", diz a nota, dizendo que, ao contrário, Correa sempre assegurou a Uribe que não anteciparia nenhuma negociação com as Farc sem conhecimento e autorização do Governo da Colômbia. Na nota, a Casa de Nariño não fez nenhuma menção à decisão de romper relações com a Colômbia adotada nesta segunda-feira, 3, por Correa, que na véspera tinha chamado seu representante em Bogotá, Francisco Suéscum, para consultas.

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