Colômbia 'não está comprometida com a paz', diz Venezuela

Chancelaria venezuelana ratifica proposta de buscar uma fórmula que 'regularize' conflito armado na Colômbia

Efe,

17 de janeiro de 2008 | 18h28

A Chancelaria venezuelana afirmou nesta quinta-feira, 17, que o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, não está comprometido com a paz em seu país, e ratificou sua proposta de buscar uma fórmula que "regularize" o conflito armado na Colômbia.  Veja também:Farc anunciarão em breve novas libertações, diz rádio local  "Isto é conseqüência de mendigar a indulgência do Governo imperial dos Estados Unidos, e de seu desespero para desviar a atenção sobre a presença em massa de tropas americanas em seu território", apontou a Chancelaria em comunicado. A nota indica ainda que "o Governo colombiano não está comprometido com a paz, mas obsessivo com a guerra e com as tentativas de derrotar militarmente as forças insurgentes". O Governo venezuelano responde assim às acusações de "ingerência" feitas na quarta, 16, pelo ministro de Relações Exteriores colombiano, Fernando Araújo, após a proposta do presidente Hugo Chávez de retirar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) da lista de grupos terroristas. "Ao invés de se empenhar para construir uma solução política para o conflito armado, o Governo colombiano busca qualquer pretexto para justificar sua lógica militarista", indicou a nota do Ministério das Relações Exteriores venezuelano. Essa opção por uma solução armada faz, segundo o comunicado, com que o Governo colombiano "não esteja comprometido com a troca humanitária" e se preocupe mais "em salvar as aparências do que em salvar vidas". A Chancelaria afirmou que o Governo de Uribe "chegou ao extremo de obstruir e sabotar as missões humanitárias de resgate impulsionadas pela comunidade internacional, pondo em risco a vida de pessoas inocentes". Na nota, o Governo da Venezuela reiterou "sua proposta, dentro dos limites do direito internacional humanitário, de avançar em uma fórmula que regularize e humanize o conflito armado colombiano". "Chávez é o único que teve êxito na libertação de reféns, e explorou o único caminho rumo à paz. Ele conseguiu reverter o sentimento generalizado de resignação e desconsolo no qual estava imersa a sociedade colombiana", apontou. O Ministério de Exteriores também criticou as declarações da Chancelaria colombiana, infestadas de "cinismo e hipocrisia e derivadas da contradição gerada pelo discurso da concórdia e a prática da permanente busca da escalada bélica". "Encontrar uma saída para o conflito colombiano é uma responsabilidade que cabe a todos os homens e mulheres que não se resignam a ser espectadores passivos do sofrimento e da dor de um povo irmão", afirmou. Sob essa perspectiva, e levando em conta os efeitos negativos que a guerra na Colômbia tem sobre a população civil venezuelana, Caracas "se reserva o direito de adotar medidas para regularizar esta situação". O comunicado chama a atenção para o fato de que, no próximo dia 9 de abril, os conflitos na Colômbia completarão 60 anos, e ratifica a "irredutível vontade do Governo da Venezuela de buscar novas libertações, um acordo humanitário e a paz".

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