Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Colômbia não perde soberania em acordo com EUA, diz Uribe

Presidente da Argentina abre cúpula da Unasul pedindo coesão do bloco sobre debate de bases americanas

28 de agosto de 2009 | 10h52

 O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, afirmou nesta sexta-feira, 28, que o acordo militar com os EUA não implica perda de soberania colombiana ou da América do Sul. "Esse acordo com os Estados Unidos se guia pelo princípio da igualdade soberana. Não há renúncia colombiana à soberania. Não há abdicação de soberania. Guia-se pelo princípio de integridade territorial dos Estados", argumentou Uribe, durante o primeiro discurso dos presidentes na cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que começou em San Carlos de Bariloche, na Argentina.

 

"Os EUA nos deram uma ajuda prática. A Colômbia, que sofre imensamente com o flagelo do terrorismo, recebe expressões de pêsames e solidariedade, mas poucas vezes a cooperação prática", disse o colombiano. A presidente argentina, Cristina Kirchner, abriu as discussões da reunião extraordinária da Unasul ratificando a necessidade de se fixar uma "doutrina uniforme" sobre a questão da presença militar extra regional na América do Sul. Segundo ela, o encontro "vai fixar uma doutrina sobre como e quando a Unasul vai abordar a instalação de bases de um país que não forme parte da América do Sul em qualquer parte de nosso território".

 

Veja também:

link Chávez ignora pedido de Lula e ataca EUA na Unasul

link Reunião põe à prova a real utilidade da Unasul

link Gasto com armamento cresce na América do Sul

link Outdoor de senador na Colômbia fala para Chávez 'abrir os olhos'

link Grupo organiza passeata contra Chávez através do Twitter

mais imagens Fotos: Veja imagens do encontro da Unasul

som Ariel Palacios explica temas que serão discutidos na cúpula

forum Enquete: A instalação de bases dos EUA na Colômbia ameaça a região?

especial Especial: A trajetória de Hugo Chávez

 

Cristina, que iniciou seu discurso em um tom ameno, pediu que suas palavras não sejam confundidas como uma forma de "minimizar" a gravidade do tema em questão, o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, que permitirá o envio de tropas norte-americanos a um país da América do Sul. "Não é tolerável, não é aceitável, que estejamos vivendo tensões como as que estamos vivendo".  "Hoje vamos tratar o tema das bases na República de Colômbia. Amanhã, outros países podem querer fazer o mesmo. Temos que fixar uma doutrina uniforme", afirmou a presidente ao abrir, que agradeceu a presença de seu colega colombiano, Álvaro Uribe.

 

Uribe não participou da última reunião do grupo, realizada no último dia 10 no Equador, país com o qual não mantém relações diplomáticas. O fundamental, segundo Cristina, é "preservar a América do Sul como uma região de paz, onde a doutrina de unilateralidade não venha a perturbar uma região que conseguiu se manter longe de conflitos". Proposta pela Argentina, a reunião dos 12 líderes da região tem o objetivo principal de discutir a presença de militares norte-americanos na Colômbia, o que será possível após a ratificação do tratado firmado entre os governos norte-americano e colombiano.

 

Uribe aproveitou para chamar a atenção dos vizinhos sobre sua preocupação com a falta de condenação das atividades das guerrilhas e de paramilitares na Colômbia. "Existe um progresso na carta inicial do Conselho de Defesa da Unasul que exclui os grupos terroristas, porém a Colômbia quer que todos os países da região reconheçam esses grupos como terroristas", insistiu Uribe. "Ficamos muito preocupados por não haver severidade no tratamento a estes grupos, por eles não serem chamados de terroristas (...)", reiterou.

 

"Na América Latina, houve guerrilhas contra as ditaduras e isto, de alguma forma, deu a elas legitimação como insurgentes. Mas, no caso da Colômbia, a guerrilha e os paramilitares surgiram com declarações teóricas e terminaram como mercenários do narcotráfico", disse. "Preocupa-nos o fato de que, em alguns discursos, estes grupos são considerados aliados políticos, de que estes grupos conseguem se esconder em territórios fora da Colômbia, vêm desse territórios para cometer atentados na Colômbia e retornam a eles para se esconder (...)", afirmou Uribe em referência aos governos da Venezuela e do Equador. O colombiano pediu que todos estes temas sejam discutidos na cúpula.

 

Antes de começar a discussão sobre a instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia, Uribe insistiu para que a emissora oficial de TV da Argentina (Canal 7), responsável pela distribuição das imagens do encontro, transmitisse toda a reunião para "não haver manipulação da informação", argumentou. Os líderes da Unasul decidiram permitir a veiculação dos debates. 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como Cristina, havia demonstrado ser contra a presença de câmeras durante todo o evento. Chávez queria que a distribuição de imagens e áudio fosse posterior à reunião e editada. A questão foi colocada em votação pelo presidente pró tempore da Unasul, Rafael Correa, do Equador.

 

 

 

Opositores ao acordo

 

Os presidentes da Venezuela e do Equador pediram ainda para que Uribe apresente o texto do acordo com Washington na íntegra, a fim de "tirar tantas dúvidas, decifrar algumas incógnitas". Chávez ainda apresentou um documento dos Estados Unidos que aponta quais são as intenções do governo norte-americano com o estabelecimento de bases militares em países da América do Sul. Ao discursar, Chávez leu trechos da "Estratégia Nacional dos Estados Unidos" e defendeu que todas as ações do país visam cumprir este plano.

 

"O Comando do Sul [dos EUA] tem interesse em estabelecer uma localidade no continente sul-americano que pudesse utilizar tanto para operações antidrogas como para comando de mobilidade", citou o mandatário, pronunciando um dos artigos do texto e referindo-se ao acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos.

 

Correa propôs que o Conselho de Defesa da Unasul avalie a fundo um documento militar dos Estados Unidos apresentado por seu colega venezuelano e defendeu o agendamento de uma reunião com o chefe de Estado americano, Barack Obama. "É inaceitável que um documento como este nos trate como um quintal", destacou Correa, à frente da Presidência rotativa da Unasul. "Proponho que o Conselho de Defesa nos apresente um relatório (do documento) e, em função desse relatório, peçamos uma reunião com Obama", disse o chefe de Estado equatoriano.

 

 

(Com Ansa, Efe e Marina Guimarães, da Agência Estado)

 

Texto atualizado às 13h05.

Tudo o que sabemos sobre:
UnasulColômbiaEUAArgentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.