Colômbia não permitirá mais comissões humanitárias

Governo proíbe comissões como a que esperava libertação de reféns; para chanceler, comissão foi injusta

Efe,

07 de janeiro de 2008 | 16h54

O Governo colombiano anunciou nesta segunda-feira, 7, que não permitirá mais comissões humanitárias internacionais como a proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que esperava a entrega de três pessoas seqüestradas pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O chanceler colombiano, Fernando Araújo, declarou à Caracol Radio que essa comissão, que esperava na cidade de Villavicencio (centro) a entrega dos reféns, era "propícia" às Farc. "Esta comissão, que veio em um ato de transparência e de abertura do Governo colombiano, chegou com um discurso muito carregado contra ele e muito propício às Farc, pondo sempre em dúvida os relatórios que o Governo dava e registrando sempre como reais as mentiras das Farc", disse o ministro colombiano. A chamada "Operação Emmanuel" pretendia resgatar a ex-candidata à Vice-Presidência da Colômbia Clara Rojas, seu filho nascido no cativeiro, Emmanuel, e a ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo. No domingo, 6, um exame de DNA identificou um menino que estava sob cuidados oficiais como sendo Emmanuel. As Farc reconheceram que a criança sob custódia em Bogotá era Emmanuel, e denunciou que ele teria sido "seqüestrado" pelo Governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.  O ministro das Relações Exteriores da Colômbia assinalou que essas comissões humanitárias "são formadas por pessoas que não conhecem a situação colombiana nem as Farc". "Por isso, atacam o Governo e defendem a guerrilha. O resultado desta gestão foi ruim", acrescentou o chanceler. No entanto, confiou em que o grupo insurgente "cumpra sua palavra" de entregar as duas seqüestradas em cujo caso o Governo colombiano facilitaria a entrega, "mas sem aceitar a presença de comissões internacionais humanitárias", disse. Araújo lamentou que alguns membros dessa comissão "após saberem sobre a identidade de Emmanuel e de comprovarem que a verdadeira razão pela qual não entregavam os seqüestrados era porque não tinham Emmanuel, continuam duvidando sobre a transparência e a sinceridade dos relatórios apresentados pelo Governo colombiano". "Nessas condições nós consideramos que essas comissões servem só para criar um cenário propício às Farc na comunidade internacional, e achamos que isso deve ser cortado pela raiz e não devemos continuar permitindo", disse. Araújo afirmou que falou com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, para limar asperezas entre os dois países, deterioradas depois que Bogotá cancelou a mediação de Chávez em favor de um acordo humanitário entre 45 seqüestrados por 500 guerrilheiros das Farc. Araújo não compartilhou o pedido que a Venezuela fez à Colômbia de "esclarecer" o que aconteceu com Emmanuel. "Mas deveriam pedir explicações às Farc, que os enganou e que ofereceram a libertação de alguns seqüestrados e descumpriram sua oferta", disse Araújo.

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