Colômbia nega usar europeus para desviar atenção das Farc

Ministro da Defesa diz que proposta de emissários apresentada uma semana antes do resgate foi 'concidência'

Efe,

07 de julho de 2008 | 09h34

O ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, nega que os contatos dos dois emissários europeus com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) fossem utilizados para desviar a atenção na operação Xeque para a libertação de 15 reféns da guerrilha. Segundo explica Santos, em entrevista publicada nesta segunda-feira, 7, pelo diário francês Le Figaro, foi uma "coincidência afortunada" que a missão franco-suíça chegasse na quinta-feira anterior "e que tivesse autorização para entrar em contato com as Farc".  Veja também:Uribe ganha apoio para 3º mandato  Colômbia acusa suíço de levar US$ 500 mil para FarcO drama de IngridPor dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Cronologia do seqüestro de Ingrid BetancourtLeia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid BetancourtO seqüestro de Ingrid Betancourt  "Isto permitiu que os membros das Farc que detinham os reféns não se surpreendessem com a operação que tínhamos organizado", acrescentou o ministro colombiano. Os dois emissários, o francês Noel Saez e o suíço Jean-Pierre Gontard, se reuniram em 28 de junho com um representante do novo chefe da Farc, Alfonso Cano, na selva colombiana. Os emissários lhe entregaram uma mensagem com propostas para um eventual acordo para a libertação de reféns. Segundo fontes francesas, o representante de Cano disse que responderia mais tarde, fazendo com que os emissários abandonassem a selva e retornassem a Bogotá, antes de seguir viagem de volta à Europa. Uma semana depois, em 2 de julho, foi realizada a operação de infiltração Xeque, montada contra as Farc pelo Exército colombiano e que permitiu a libertação de 15 reféns da guerrilha, incluindo a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt.  Resgate cinematográfico Os seqüestrados foram resgatados no Departamento de Guaviare, no sudeste do país, numa operação que, de acordo com Bogotá, envolveu soldados infiltrados e mentiras contadas às Farc. Segundo o governo colombiano, a operação foi realizada em duas etapas. Na primeira fase, militares se infiltraram num grupo das Farc que fazia a segurança do cativeiro e também no secretariado da guerrilha.  A segunda fase foi a do resgate propriamente dito. Militares chegaram em dois helicópteros M-17 civis no local do cativeiro afirmando ser integrantes de uma organização humanitária - quatro deles da tripulação e outros 9 "assistentes", vestidos de branco. Eles deveriam transportar os reféns até o sul do país, onde encontrariam o líder máximo das Farc, Alfonso Cano. "Mas os helicópteros eram, na verdade, do Exército", explicou o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. Dois rebeldes teriam convencido outros guerrilheiros - ainda não se sabe como - a entregar os 15 reféns.  Segundo Santos, um rebelde conhecido como César e "outro guerrilheiro do estado-maior das Farc" embarcaram no helicóptero. Ingrid contou que ela e os outros reféns foram levados algemados para a aeronave, imaginando que seriam deslocados para outro cativeiro. Eles só foram informados de que estavam sendo resgatados quando já estavam no ar e viram César vendado, no chão. "O helicóptero quase caiu por causa dos pulos e gritos de alegria que dávamos ", disse Ingrid. Após a ação, os ex-reféns foram transportados em um helicóptero até San José del Guaviare e, depois, foram para a base aérea de Tolemaida, a 100 quilômetros de Bogotá. Só então seguiram para a capital. Os ex-reféns americanos voaram direto para os EUA. "A operação foi absolutamente impecável", disse Ingrid depois. Às 17h20 (19h20 no horário de Brasília), ela e os outros reféns desembarcaram na base militar de Catam, em Bogotá.

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