Colômbia nomeia equipe que vai negociar com as Farc

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, apresentou na quarta-feira a delegação de seis homens que irá negociar um acordo de paz com a guerrilha Farc, num esforço para encerrar a mais longa insurgência da América Latina, que já dura quase meio século.

HELEN MUR, Reuters

05 de setembro de 2012 | 20h50

Uma década depois da última tentativa de pacificação, governo e guerrilha vão se reunir no mês que vem na Noruega, e em seguida vão transferir o diálogo para Cuba. A delegação do governo será encabeçada pelo ex-vice-presidente Humberto de la Calle.

"É uma equipe com ampla experiência, e cada membro deseja que as coisas sigam adiante de forma séria, digna, realista e efetiva", disse Santos em pronunciamento no palácio presidencial de Nariño, ao lado de alguns negociadores.

A equipe é formada também por um ex-chefe de polícia, um empresário do setor industrial, um ex-comandante militar, um assessor de segurança da presidência e um ex-ministro do Meio Ambiente.

Santos, que está na metade do seu mandato de quatro anos, aposta parte da sua reputação nessa negociação. Ele sabe que será um processo espinhoso, a julgar por fracassos anteriores, como na negociação de 1999-2002, quando os rebeldes fizeram exigências ambiciosas e aproveitaram um cessar-fogo para se reagruparem.

Desta vez a guerrilha marxista está mais enfraquecida, e Santos aposta que ela não terá como fazer exigências descabidas.

"A diferença entre estas negociações de paz e as anteriores é que parece haver um desejo real, disposição de ambas as partes", disse à Reuters o parlamentar oposicionista Ivan Cepeda, cujo pai foi morto por paramilitares de direita em 1994.

No processo de El Caguán, encerrado há dez anos, os sete líderes das Farc envolvidos eram da linha-dura ideológica e militar, e críticos dizem que eles não tinham a intenção real de selar a paz. Quatro deles já morreram.

Por outro lado, desta vez não haverá um cessar-fogo, e alguns analistas dizem que o prosseguimento dos combates pode ameaçar o resultado do processo.

Esse risco ficou claro na terça-feira, quando os rebeldes das Farc explodiram dois caminhões numa mina de carvão no departamento de La Guajira (norte), segundo fontes setoriais.

Nos últimos dez anos, uma ofensiva militar do governo apoiada pelos EUA obrigou as Farc a se recolherem a zonas remotas. A economia colombiana prosperou nesse período, mas a presença dos rebeldes ainda atrapalha a expansão dos setores minerador e petrolífero.

Outros analistas dizem que a falta de um cessar-fogo pode acabar sendo benéfica, por introduzir uma sensação de urgência no processo. "É um grande risco, mas vai assegurar que as negociações avancem rapidamente", disse à Reuters Leon Valencia, ex-combatente na segunda maior guerrilha colombiana, o ELN. "Se eles negociarem em guerra, precisa ser muito curto; tem de ser menos de um ano."

(Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta)

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