Colômbia notifica ONU sobre ameaças de guerra de Chávez

Presidente venezuelano nega chamado à guerra e diz que declaração foi 'manipulada' pela imprensa mundial

estadao.com.br,

12 Novembro 2009 | 08h34

A Colômbia entregou ao Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, 12, uma nota diplomática sobre as ameaças de guerra feitas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no final de semana. Enquanto isso, Chávez responsabilizou a imprensa por Manipular suas declarações, que teriam dado a "volta ao mundo" como se ele tivesse feito uma convocação a uma guerra com a Colômbia.

 

Veja também:

especial Especial: A trajetória de Hugo Chávez

especial Especial: Chávez consagra receita do "governo ao vivo"

 

No domingo, Chávez pediu para que seus soldados estivessem preparados para a guerra para assegurar a paz, em meio a uma elevada tensão entre os dois países por causa de um acordo de cessão de bases colombianas aos EUA. Na noite de terça-feira, no entanto, Chávez esclareceu suas declarações e disse que apenas repetiu a velha máxima "se queres a paz, prepara-se para a guerra". "Os militares venezuelanos são pacifistas e nos preparamos para a guerra para assegurar a paz, foi isso o que eu disse domingo", disse Chávez, durante um ato público com atletas venezuelanos.

 

"A representante permanente da Colômbia na Organização das Nações Unidas (ONU), Claudia Blum, entregou ao presidente do Conselho de Segurança, Thomas Mayr-Harting, uma nota diplomática referente às ameaças da Venezuela de usar a força contra a Colômbia e outros aspectos sensíveis", afirmou a chancelaria colombiana em nota.

 

Apesar do novo incidente diplomático, o chanceler colombiano, Jaime Bermudez, assegurou que o país está aberto para retomar o diálogo com a Venezuela, ainda que não tenha recebido nenhum contato do país vizinho até o momento.

 

As relações entre a Venezuela e a Colômbia sofreram altos e baixos na última década e vivem nova crise desde julho. Chávez congelou as relações bilaterais após a Colômbia anunciar que pretendia ceder o uso de sete de suas bases aos EUA. A crise diplomática se aprofundou nas duas últimas semanas, quando dois militares venezuelanos foram assassinados no Estado fronteiriço de Táchira por supostos paramilitares. Depois do incidente, a presença militar venezuelana foi reforçada nas fronteiras com a Colômbia e o Brasil, sob o argumento de intensificar as operações contra o narcotráfico e a extração ilegal de minérios.

Antes do assassinato dos militares, há duas semanas, dez pessoas que haviam sido sequestradas foram encontradas mortas, também no Estado de Táchira. O governo venezuelano disse na ocasião que se tratavam de "paramilitares colombianos em treinamento" na Venezuela. Neste mesmo período, dois agentes do serviço de inteligência colombiano foram presos em território venezuelano acusados de espionagem - alegação que o governo colombiano nega.

 

(Com Reuters)

Mais conteúdo sobre:
Venezuela Colômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.