Colômbia oferece garantias para libertação de reféns das Farc

Guerrilha anunciou na quarta que soltaria cinco detidos, sendo dois civis e três militares

Reuters

09 de dezembro de 2010 | 19h21

BOGOTÁ - O governo da Colômbia anunciou nesta quinta-feira, 9, que está disposto a garantir todas as condições de segurança exigidas para que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertem em breve cinco reféns que prometeram entregar à ex-senadora Piedad Córdoba.

As Farc comunicaram na quarta-feira sua disposição de libertar três militares e dois políticos sequestrados que serão entregues a Piedad, que foi destituída de seu cargo político pela Procuradoria Geral, acusada de ter ligações com os rebeldes.

"O governo nacional está disposto a garantir todas as condições de segurança pedidas para a libertação mencionada, no menor prazo possível", informou um comunicado da Presidência.

O governo afirmou que também está disposto a autorizar Córdoba para adiantar os trabalhos de mediação que permitam a libertação dos reféns, "sempre e quando sejam feitos com absoluta e total discrição".

Por sua parte, Piedad Córdoba estimou que os reféns só serão libertados em janeiro; até então, será coordenada a operação com a guerrilha, e possivelmente será pedida ajuda logística ao Brasil, que no passado já emprestou helicópteros e tripulações para receber outros reféns na selva.

A ex-senadora foi destituída como parlamentar e proibida pela Procuradoria Geral de exercer cargos públicos por 18 anos, acusada de ter vínculos com as Farc e de favorecer a organização com suas gestões humanitárias para receber outros reféns.

Córdoba já recebeu no passado vários políticos e membros das Forças Armadas que as Farc lhe entregaram na selva, e, apesar da decisão da Procuradoria, negou ter vínculos com a guerrilha, afirmando que limitou-se a fazer um trabalho humanitário.

As Farc já chegaram a ter mais de 60 reféns mantidos em cativeiro por motivos políticos, mas vêm libertando alguns deles de maneira unilateral, enquanto outros foram resgatados em operações das Forças Armadas, como foi o caso da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e de três americanos.

No passado, o governo acusou a guerrilha de utilizar os reféns e suas libertações para ganhar destaque político nacional e internacional e procurar limpar sua imagem. As Farc são qualificadas pelos EUA e a União Europeia como grupo terrorista e são acusadas de narcotráfico, assassinatos e sequestros.

Atualmente o grupo guerrilheiro conserva em seu poder 18 membros das Forças Armadas, que procura trocar com o governo por centenas de rebeldes presos, por meio de um acordo humanitário.

Os dois políticos que as Farc vão libertar não figuravam na lista de reféns ditos "permutáveis".

A ex-senadora disse que o anúncio da guerrilha é um bom augúrio do que pode acontecer em 2011 na busca pela paz e o fim do conflito interno que já dura mais de 45 anos e ceifa milhares de vidas por ano.

"Acredito muito que o ano que vai começar é um ano de possibilidades de reconciliação e paz na Colômbia", disse a política, que pertence ao Partido Liberal.

O governo do presidente Juan Manuel Santos impôs à guerrilha condições para que seja iniciado um diálogo de paz: a libertação dos sequestrados, a suspensão das hostilidades e que as Farc comuniquem sua disposição de entregar suas armas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.