Colômbia pede a Chávez provas de complô para assassiná-lo

Ministro da Defesa diz que venezuelano desconhece ação terrorista e crimes contra a humanidade das Farc

Efe,

17 de janeiro de 2008 | 13h45

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, pediu nesta quinta-feira, 17, ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que mostre as provas de um suposto complô que existiria em Bogotá para assassiná-lo. Santos, que reconheceu que suas relações com Chávez não são boas, respondeu às acusações feitas pelo venezuelano sobre o suposto complô, do qual participariam, segundo ele, militares colombianos e dos Estados Unidos. Por várias vezes, Chávez acusou os EUA de conspirarem para matá-lo, o que Washington nega. O líder venezuelano disse agora que autoridades colombianos estão cooperando com esses esforços.  "Que mostre as provas se for verdade", reiterou o ministro colombiano em entrevista à Caracol Radio. Santos disse que não se aprofundaria nas afirmações realizadas por Chávez na Nicarágua e que as declarações do ministro das Relações Exteriores, Fernando Araújo, sobre o tema deixam clara a posição colombiana. Araújo disse que Chávez "desconhece a ação terrorista da guerrilha, sua participação no narcotráfico, seus crimes contra crianças, mulheres e idosos, o seqüestro e os demais crimes, que são no mundo todo crimes contra a humanidade". Para o governo colombiano, Chávez "confunde a cooperação com a ingerência, como confundiu a mediação com o parcialismo", afirmou o chanceler. Grosseria O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, acusou em Londres o presidente Hugo Chávez de ser "grosseiro com a dignidade do governo e dos colombianos" e intervencionista nos assuntos do Estado. Em entrevista, Santos explicou que Chávez "confundiu mediação com intervencionismo" e que sua proposta de considerar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional exércitos e não organizações terroristas "não tem a menor possibilidade de ser bem-sucedida". Santos afirmou que estes grupos terroristas colocam minas, mutilam camponeses e mulheres, seqüestram pessoas e acabam com a vida de inocentes, "só para dar uma idéia". Quanto ao interesse despertado do longo seqüestro da política Ingrid Betancourt, o vice-presidente colombiano disse que dar um maior valor a um dos reféns "não só é uma injustiça mas também uma desproporção". "A única coisa que se pode conseguir com isso é que Ingrid tenha um preço tão alto que seja a última a sair", ressaltou. Ele lembrou que a liberdade é um direito, não um acordo, por isso exigiu às guerrilhas que libertem os reféns e entreguem os corpos das pessoas assassinadas. Santos afirmou que, apesar de que em "certos setores radicais e minoritários europeus se justifique a luta das guerrilhas", a União Européia apóia a Colômbia.

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