Colômbia pedirá respeito à soberania em cúpula da Unasul

Bogotá quer aproveitar encontro sobre bases dos EUA para discutir acordos militares de outros países

27 de agosto de 2009 | 16h29

O governo colombiano disse nesta quinta-feira, 27, que pedirá respeito à sua soberania na cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que, segundo disse, será uma "feliz ocasião" para falar de temas como a cooperação internacional, a corrida armamentista e a tolerância ao narcotráfico e ao crime internacional. "A Colômbia mantém um absoluto respeito pela soberania de outros países e exige o mesmo", disse o ministro da Defesa, Gabriel Silva, na Base Naval ARC Bolívar, na cidade de Cartagena (norte).

 

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O ministro visitou a base com um grupo de congressistas, aos quais explicou o acordo que permitirá ao Exército americano usar instalações militares colombianas. Segundo o governo colombiano, o pacto, que gerou polêmica em países como Venezuela, Equador e Bolívia, só deve ser temido por terroristas e narcotraficantes.

 

Na véspera, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, que na terça havia se reunido com Silva em Bogotá, afirmou que o governo colombiano está disposto a dar garantias de que o acordo não afetará países terceiros.

 

O pacto entre Colômbia e EUA é um dos assuntos que os participantes da Unasul debaterão nesta sexta em Bariloche (sul da Argentina). O presidente colombiano, Álvaro Uribe, participa do encontro para explicar o acordo. O chefe de Estado, porém, também quer que sejam discutidos na reunião outros pactos similares assinados na América Latina, assim como a corrida armamentista de alguns países vizinhos.

 

O acordo entre Bogotá e Washington, que permite a soldados e assessores americanos terem acesso a sete bases militares em solo colombiano para operações contra o tráfico de drogas e o terrorismo, concluiu sua fase de negociação em 14 de agosto e está à espera da assinatura final dos dois governos. Uribe confirmou a presença na cúpula, mas a condicionou a que também sejam discutidos outros acordos de cooperação militar que alguns países têm com nações de fora da região.

 

O governo de Álvaro Uribe deixou claro que o acordo não implica a instalação de bases americanas na Colômbia, mas o uso de instalações sob comando colombiano pelas forças dos EUA. Venezuela e Equador, assim como a Bolívia, rejeitam o acordo entre Colômbia e EUA. Outros países da região, como o Brasil, manifestaram sua preocupação, mas enfatizaram o respeito à soberania colombiana.

 

Ameaça ao bloco

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou que "o império americano iniciou uma contraofensiva" perante "os avanços progressistas e democráticos" no continente em mensagem para seus colegas da Unasul. Em artigo no jornal argentino Página/12,ele se mostrou "profundamente preocupado pela tensão com a Colômbia frente à instalação de pelo menos sete bases militares" americanas no país.

 

O texto, que leva como título "Carta aos presidentes da Unasul", foi publicado um dia antes da cúpula. "O império americano iniciou um contraofensiva anti-histórica e retrógrada com o propósito de reverter a união, a soberania e a democracia em nosso continente e impor a restauração da dominação imperial em todos os âmbitos da vida de nossas sociedades", advertiu Chávez.

 

"Do meu governo estamos real e profundamente preocupados pela situação de tensão com a irmã república da Colômbia frente à instalação de, pelo menos, sete bases militares nesse querido e irmão território sul-americano", acrescentou. Considerou que "este fato é parte de um plano político e militar orquestrado para acabar com o projeto da Unasul, além de ser a maior ameaça neste momento histórico para as infinitas riquezas" que jazem no continente.

 

"Seria um erro grave pensar que a ameaça é só para a Venezuela; vai dirigida a todos os países do sul do continente, sentença o companheiro Fidel (Castro) em suas reflexões", assinalou Chávez em alusão ao líder cubano. "O povo da Colômbia tem direito à paz" e "não pode querer uma elite servil, cujo negócio é a guerra no irmão país, expandir e impor seu conflito armado com a pretensão de estigmatizar e desestabilizar os movimentos progressistas e revolucionários que de maneira legítima, democrática e pacífica avançamos com os sonhos e bandeiras dos libertadores", sustentou.

 

"Chegou a hora da América do Sul, a hora de Unasul, confiamos na capacidade política de nossa nascente união para enfrentar na atualidade esta ameaça, que compromete o porvir de nossas repúblicas, o porvir de nossos povos e o porvir de toda a humanidade", sentenciou o presidente da Venezuela.

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