Colômbia promete reação dura a assassinatos das Farc

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, prometeu na terça-feira endurecer a luta contra o terrorismo, depois de a guerrilha Farc anunciar que matou oito índios colombianos como punição por terem passado informações ao Exército. "Nossa decisão hoje é de reforçar nossas políticas antiterroristas", disse Uribe em visita ao Brasil. "Eles querem obter prestígio com algumas libertações, e ao mesmo tempo ensanguentam cinicamente as ruas de várias cidades colombianas com seus carros-bomba, e cinicamente assassinam índios", disse Uribe em entrevista coletiva ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Carros-bomba explodiram em janeiro na cidade de Neiva e no começo de fevereiro em Cali, matando 2 pessoas e ferindo 39. O governo atribuiu os atentados às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na terça-feira, a guerrilha anunciou ter matado os oito índios da etnia awá perto da fronteira com o Equador. "Todos os oito homens admitiram que haviam trabalhado nisso com o Exército durante dois anos", disseram as Farc em nota divulgada no site http://anncol.eu/. "Como resultado das operações militares, da sua responsabilidade na morte de numerosos guerrilheiros e do seu inegável envolvimento no conflito, eles foram executados." O Exército, que impôs várias derrotas às Farc nos últimos anos, negou que os índios estivessem espionando a guerrilha, e disse que as mortes abalam ainda mais a credibilidade do grupo marxista. Dezenas de índios awás fugiram de suas casas depois dos relatos de que até 27 pessoas teriam sido mortas neste mês por guerrilheiros das Farc, que há quatro décadas enfrentam o governo da Colômbia. As autoridades encontraram apenas um corpo na remota região do sudoeste colombiano onde as mortes ocorreram. O Acnur (agência da ONU para refugiados) disse que mais de 21 mil awás - uma das tribos mais afetadas pelo conflito - sofrem persistentes abusos aos direitos humanos por causa dos confrontos entre quadrilhas e guerrilheiros pelo controle de terras para a produção de cocaína. Uribe adota uma postura cada vez mais dura contra as Farc, apesar de o grupo ter libertado seis reféns nas últimas semanas, numa operação que teve apoio logístico do Brasil. Ainda há 22 militares em poder da guerrilha, que pretende trocá-los por cerca de 500 guerrilheiros presos. (Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta)

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