Colômbia protesta com Equador por posição sobre Farc

A Colômbia anunciou na quinta-feira queprotestará junto a Quito pelas declarações do presidente doEquador de que reconheceria as Forças Armadas Revolucionáriasda Colômbia (Farc) como uma força beligerante se o grupo deixaros sequestros e ataques terroristas, posição rejeitada pelopresidente colombiano, Alvaro Uribe. Trata-se do mais recente incidente diplomático entre osgovernos dos dois países com sérias diferenças sobre o conflitointerno colombiano. As relações diplomáticas entre Bogotá e Quito estãoestremecidas desde que as forças militares colombianas atacaramum acampamento das Farc em solo equatoriano, em março, matandoo líder rebelde Raúl Reyes. "Naturalmente vamos protestar do ponto de vista diplomáticopelas declarações feitas pelo presidente Correa, que violam osacordos que temos conseguido", disse o chanceler colombiano,Fernando Araújo, em resposta a recentes comentários dopresidente Rafael Correa sobre as Farc. "Consideramos que um país democrático não pode cair natentação de dar nenhum tipo de status a grupos que executamatos de terrorismo permanentemente. Eu mesmo estive sequestradoseis anos pelas Farc e garanto à comunidade internacional daqualidade de terrorista do grupo", afirmou Araújo. Correa, que até agora se recusa a qualificar as Farc depolítica ou de terrorista, esclareceu que primeiro o gruporebelde teria que libertar incondicionalmente seus reféns,entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt, trêsnorte-americanos, políticos, militares e policiais. "Se as Farc abandonarem essas práticas e cumprirem ascondições para serem tratadas como força beligerante, ou seja,que controlem um território, que tenham uma força armadaorganizada, que respeitem os códigos de guerra..., é claro queteríamos de reconhecê-las como força beligerante", disse Correana quarta-feira. Para o presidente colombiano, as Farc não cumprem com ascondições para outorgá-la o status de beligerância pois só sepode reconhecer um grupo que tenha controle territorial e umcomando unificado que exerça justiça e cumpra o direitointernacional humanitário. "Que os meus compatriotas majoritariamente, quem sabe atéunanimemente, assinem documentos para defender nossa democraciae evitar estes atentados que são contra a democracia eacontecem quando se propõe o status de beligerância a favor deum grupo terrorista", afirmou Uribe à rádio local RCN. Uribe refez a promessa que o levou ao poder em 2002:derrotar militarmente o grupo rebelde, em um esquemademocrático apoiado pelos Estados Unidos. "As Farc podem escolher entre dois caminhos: ou seretificam e fazem paz, o que se faz em cinco minutos, ou o povocolombiano, apoiando o governo e as forças públicas, continuarácom a tarefa de derrotá-los", disse o presidente colombiano.

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