Colômbia quer discutir armas, narcotráfico e terror na Unasul

Representantes do país dizem esperar caminho de cooperação e de confiança como resultado da reunião

Efe, Associated Press e Reuters,

15 de setembro de 2009 | 13h12

O ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, pediu à União de Nações sul-americanas (Unasul), que realiza em Quito um encontro entre chanceleres e ministros da Defesa do bloco nesta terça-feira, 15, que discuta a compra de armas por países da região e também a luta contra o narcotráfico e o terrorismo. O pedido da Colômbia foi feito no momento em que Venezuela, Brasil e Equador negociam compras de armas e de aeronaves militares com países como Rússia, França e China.

 

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"Assim como é importante discutir de maneira ampla e democrática as compras de armas, as garantias e os mecanismos de segurança, também o são a presença de grupos terroristas na região e a luta contra o narcotráfico", afirmou, indicando que gostaria que fosse discutido a presença de grupos terroristas em outros países. O objetivo desse encontro é o estabelecimento de acordos de transparência nas políticas de segurança dos países-membros.

 

Os ministros de Relações Exteriores e da Defesa dos 12 países membros da Unasul se reúnem nesta terça-feira em Quito, e o tema das bases deve marcar presença. "Buscamos medidas de fomento para a confiança na segurança e defesa", afirmou o chanceler equatoriano, Fander Falconi. O ministro de Defesa colombiano, Gabriel Silva, afirmou que Bogotá não chega à cúpula de Defesa para fazer consultas sobre nada, mas sim para compartilhar uma posição. Segundo ele, o país busca também "caminhos de maior cooperação" na região.  

 

O encontro tem como principal objetivo concretizar acordos para intercâmbio de informação militar, em meio a preocupações decorrentes pelo controverso plano da Colômbia e EUA, que está perto de ser assinado e que permitirá aos norte-americanos usar bases no país andino para operações antidrogas. Os ministros também tentarão aumentar a confiança, baseados no respeito à soberania, integridade e inviolabilidade territorial, assim como a não ingerência nos assuntos internos dos países membros - temas que causaram vários incidentes recentes entre diversas nações da região.

 

Alguns membros da União Sul-Americana de Nações (Unasul), entre eles Venezuela e Equador, pediram ao governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que apresente os detalhes da parceira com Washington, argumentando que se trata de um ponto de desestabilização no continente. Mas Uribe, o principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul, limitou-se a defender sua decisão e a minimizar o tom das preocupações que seus vizinhos expressaram, de que o acordo busque atacar terceiros.

 

Como reação, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que além de restringir as importações colombianas, anunciou na semana passada um acordo com a Rússia pelo qual terá direito a um financiamento de 2,2 bilhões de dólares para a compra de armas. O Brasil, por sua vez, está negociando com a França o reaparelhamento de suas Forças Armadas, incluindo a compra de helicópteros, submarinos e caças. Equador e Chile também fortaleceram sua frota aérea recentemente.

 

O presidente do Peru, Alan García, propôs em uma carta enviada aos chanceleres e ministros da Unasul um pacto de não-agressão militar. García defendeu ainda que o Conselho de Defesa Sul-Americano possa estudar os gastos e compras militares de cada país. "Existe um tema urgente e essencial para alcançar esse propósitos e é o freio ao armamentismo através de um mecanismo de transparência e confiança e do compromisso de todos os membros de um Pacto de Não Agressão Militar", defendeu o peruano. Segundo ele, "o segredo entre nós só beneficia os grandes vendedores de armas" e os que ganham comissões ilegais sobre esses negócios.

 

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