Colômbia quer mediação francesa em negociações com as Farc

Bogotá consegue prova de vida dos seqüestrados em ação militar e exibe vídeo e carta de Ingrid Betancourt

Agências internacionais

30 de novembro de 2007 | 13h20

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, sugeriu nesta sexta-feira, 30, que a França atue como mediador nas negociações com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc) para tentar garantir a libertação do grupo de reféns mantido pela maior guerrilha esquerdista do país.   Veja também: Exército colombiano acha prova de vida de reféns das Farc Assista às imagens de Betancourt e outros reféns (BBC)  Especial: Tensão na América do Sul    O anúncio foi feito no dia em que o governo colombiano anunciou ter descoberto provas de que a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e vários militares seqüestrados pelas Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, estariam vivos.   As provas de que os reféns estão vivos foram obtidas pelo Exército durante uma operação militar em Bogotá, na qual foram capturados três rebeldes cuja missão seria, aparentemente, enviar ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vídeos e cartas como prova da vida dos seqüestrados.   Uribe, que afastou Chávez dos esforços de mediação com as Farc, avisou que uma possível gestão francesa não deve dar respaldo ao terrorismo. "Quero reiterar nesta manhã nossa disposição de buscar com o governo da França e com a comunidade nacional e internacional mecanismos para a libertação dos reféns que sejam eficientes e que não dêem respaldo político ao terrorismo", afirmou Uribe em um ato público.   O líder colombiano festejou o confisco das provas e disse que, segundo a avaliação da Procuradoria Geral do país, essas provas eram verdadeiras. Uribe, no entanto, lamentou a situação de Betancourt e do ex-congressista Luis Eladio Pérez, visivelmente enfraquecidos e abatidos nas imagens obtidas.   "As Farc são um grupo terrorista e torturador, do pior tipo da história da humanidade. Isso não pode ser ignorado, mas, dentro do esquema acertado, vamos continuar trabalhando para garantir a libertação dos reféns", afirmou Uribe.   Provas de vida   Segundo a BBC, quatro dos cinco vídeos, incluindo o que registra imagens de Betancourt - que foi seqüestrada em fevereiro de 2002 - têm data de gravação correspondente aos dias 23 e 24 de outubro deste ano, segundo as autoridades. O comunicado afirma que o vídeo mostra imagens de Mark Gonçalves, Kein Stambler e Thomas Howes, trabalhadores americanos também reféns das Farc. Outros mostram integrantes do exército colombiano, também em poder da guerrilha.   Nas imagens divulgadas na TV colombiana, a ex-candidata presidencial aparece com o rosto abatido, na selva. Nos breves trechos transmitidos pela TV local, Betancourt aparece sentada num ambiente de selva. "   Tudo o que vemos é uma única foto em que ela está sentada junto a uma pequena mesa e parece bem magra, com o cabelo longuíssimo. Ela está olhando para baixo. Tive a sensação de que sua mão estava acorrentada. É uma imagem triste da minha irmã, mas ela está viva", disse Astrid, irmã de Betancourt, à TV LCI, da França - a ex-candidata também tem cidadania francesa.   Em Paris, o vídeo foi recebido como "uma grande notícia" e "um primeiro passo" pelo governo francês, segundo o porta-voz presidencial, David Martinon. "É um primeiro passo importante. O presidente Nicolas Sarkozy continua determinado a conseguir a libertação de todos os reféns", afirmou Martinon. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, considerou animadora a notícia. "Agora que sabemos que está viva, nós devemos lutar de maneira implacável para obter a sua libertação", disse Sarkozy a jornalistas na cidade de Nice.   O presidente da França, Nicolas Sarkozy, teve papel importante nos recentes esforços para mediar a troca de prisioneiros entre governo e guerrilha. Neste ano, o governo colombiano soltou um líder das Farc, como gesto de boa-vontade pela negociação, e convidou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para também participar da mediação - embora na semana passada o tenha destituído dessa função, porque o venezuelano conversou um comandante militar sem pedir autorização do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaFrançaFarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.