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Colômbia rechaça exigência das Farc para libertar francês

País disse que 'não polemizará com uma organização criminosa'; grupo exige debate sobre informação

REUTERS

08 Maio 2012 | 15h55

BOGOTÁ - A Colômbia rechaçou nesta terça-feira, 8, a exigência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que se realize um debate sobre a liberdade de informação a fim de libertar o jornalista francês Roméo Langlois e disse que não polemizará com uma organização criminosa.

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As Farc sequestraram o jornalista há 10 dias e o declararam "prisioneiro de guerra", o que provocou o repúdio de grupos de direitos humanos e organizações que defendem a liberdade de imprensa.

"Essa organização criminosa não pode de nenhuma maneira vir a estabelecer condições de nenhum tipo. O governo nacional não pode polemizar com criminosos", respondeu o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, ante a demanda da guerrilha.

"Não se pode aceitar de nenhuma maneira discussão alguma sobre a situação desse jornalista, eles têm que libertá-lo, libertá-lo o mais rápido possível", afirmou o ministro.

Langlois, de 35 anos, foi dado como desaparecido pelo governo da Colômbia em 28 de abril, logo depois de ficar preso em meio a um combate entre tropas do Exército e rebeldes das Farc em uma região de floresta do departamento de Caquetá, no sul do país.

O jornalista mora na Colômbia há 12 anos. Ele realizava um documentário para o canal France 24 sobre a luta contra o narcotráfico nas selvas da Colômbia quando foi sequestrado.

CHAMADOS À LIBERDADE

Embora o grupo guerrilheiro insista em que o jornalista vestia roupas militares, as autoridades negam e garantem que, durante o combate, ele tirou um colete antibalas e um capacete que usava como proteção antes de caminhar até a área em que estavam os rebeldes.

O país vive um violento conflito interno há décadas, no qual as guerrilhas confrontam as Forças Armadas do governo. Mas o sequestro de jornalistas não tem sido frequente no confronto, que causa milhares de mortes anualmente.

O sequestro de Langlois provocou reação de organizações como Repórteres sem Fronteiras e Anistia Internacional, que exigem que o grupo rebelde o liberte e cumpra com o anúncio que fez no fim de fevereiro, segundo o qual não voltariam a realizar sequestros.

"Embora um debate sobre a liberdade de expressão e a forma como a mídia cobre o conflito na Colômbia poderia ser positivo, isso não deve ser utilizado como um pretexto para manter cativo um jornalista", disse em comunicado Susan Lee, diretora para as Américas da Anistia Internacional.

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