Colômbia recompensa guerrilheira que fugiu com refém das Farc

A Colômbia pagará uma recompensa a uma guerrilheira das Farc que fugiu com um empresário sequestrado havia 20 meses, disse na quinta-feira o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. Foi a primeira vez que um integrante da guerrilha fugiu com um refém pelo qual havia um milionário pedido de resgate. Fontes de segurança dizem que a recompensa pode estimular dezenas de outras deserções com reféns, o que debilitaria ainda mais as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Ela definitivamente merece os benefícios jurídicos e econômicos, e vamos cumprir (a recompensa) como cumpriremos com qualquer guerrilheiro que decida seguir seu exemplo", disse Santos referindo-se a Zeneida Rueda, codinome "Miriam", que passou mais de oito anos na guerrilha. O ministro não esclareceu a quantia que será paga pelo governo. A ex-rebelde de 37 anos, mãe de dois filhos, fugiu em 2 de janeiro com o empresário Luis Fernando Saumido de um acampamento das Farc próximo à localidade de Cabrera, no departamento de Cundinamarca (região central). Após caminharem por mais de seis horas, chegaram a uma barreira do Exército. Em outubro do ano passado, o guerrilheiro Wilson Bueno, o "Isaza", fugiu com o ex-parlamentar Oscar Túlio Lizcano, que havia passado mais de oito anos sequestrado. O político fazia parte de um grupo de 29 pessoas que as Farc pretendem trocar com o governo de Álvaro Uribe por cerca de 500 rebeldes presos. "Isaza" recebeu uma recompensa superior a 400 mil dólares e viajou para a França. "O governo reitera sua política de recompensar economicamente e por meio de benefícios jurídicos qualquer membro da guerrilha que tome a decisão de ajudar a libertar um sequestrado", reiterou Santos. Além dos reféns de caráter político, as Farc mantêm sequestradas centenas de pessoas pelas quais exige resgates milionários, de acordo com o governo. O grupo rebelde, que sofreu a morte de vários de seus comandantes e a deserção de milhares de combatentes em uma ofensiva liderada por Uribe e apoiada pelos Estados Unidos, obtêm um faturamento milionário com os sequestros, sua segunda maior fonte de renda, depois do narcotráfico. A guerrilheira afirmou em entrevista coletiva que não sentiu medo na hora da fuga, mas que começou a tremer quando encontrou o Exército, porque achou que os soldados abusariam sexualmente dela e em seguida a matariam, como asseguravam os comandantes rebeldes.

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