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Colômbia rejeita plano para que Unasul monitore bases dos EUA

Proposta era de autoria venezuelana; Caracas, porém, cede à exigência de garantias por escrito sobre acordo

Denise Chrispim Marin, enviada especial,

15 de setembro de 2009 | 19h32

As divergências entre Colômbia e Venezuela dominaram nesta terça-feira, 15, a reunião de chanceleres e de ministros da Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em Quito, no Equador. Apesar de ter se dobrado à exigência de toda a América do Sul de garantias por escrito de que seu acordo com os Estados Unidos não resultará em ações militares em países vizinhos, a Colômbia rechaçou a proposta da Venezuela, que pedia o monitoramento, pela Unasul, das sete bases que receberão soldados e equipamentos americanos até 2019.

 

Os ministros colombianos Jaime Bermúdez, das Relações Exteriores, e Gabriel Silva, da Defesa, mostraram-se igualmente inflexíveis com relação à proposta, de autoria de Caracas, de que a Unasul assuma a condução do processo de paz na Colômbia. A sugestão imediatamente foi avaliada como uma armadilha por Bogotá, por abrir um espaço político para o reconhecimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como força beligerante, o que daria status político à guerrilha.

 

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Esses dois confrontos de posição impediram que o texto final da reunião de Quito fosse concluído ao final da primeira rodada de discussões. Até o a noite desta terça-feira, o documento continuava sem o consenso necessário. Durante os debates, a Colômbia foi submetida a forte pressão, como informou uma diplomata desse país. Uma dessas pressões resultou na disposição da Colômbia de fornecer garantias por escrito de que as ações militares com os EUA se restringirão a seu território.

 

"Se vocês estão dizendo que nos dão as garantias, por que não as escrevem?", questionou o chanceler Celso Amorim, ao final de uma insistente argumentação para extrair um compromisso no papel. Amorim queixou-se ainda do fato de a Colômbia não ter apresentado cópias de seu acordo com os EUA aos governos da América do Sul. O Itamaraty teve acesso rápido ao texto, apenas para leitura e anotações.

 

Durante a tarde, a Colômbia insistia na necessidade de a Unasul debruçar-se sobre todos os acordos militares com países de fora da região, especialmente os que envolvam compras de armamentos. Mais que atingir os acordos entre o Brasil e a França, o governo colombiano preocupa-se neste momento com os recentes contratos firmados pela Venezuela com a Rússia e com seus tratados na área de Defesa com o Irã.

 

"Queremos discutir as compras de armas, com todo o respeito, assim como os acordos de combate ao narcotráfico e ao terrorismo", afirmou Bermúdez. "Estamos dispostos a colocar nosso acordo com os Estados Unidos sobre a mesa. Mas queremos que todos os países também ponham sobre a mesa seus acordos com outras nações."

 

A declaração final do encontro de Quito deverá trazer o compromisso dos países de notificar a Unasul sobre seus orçamentos militares dos últimos cinco anos, desde a proposta inicial à execução. Essa medida foi acertada na reunião prévia das delegações dos 12 países, que terminou na noite de ontem.

 

Dessas discussões, houve consenso também sobre a notificação e o registro na Unasul de todos os acordos de defesa e segurança entre os países do bloco e os firmados com nações de outras regiões. A Colômbia, entretanto, insistia hoje na notificação também da origem dos recursos aplicados na compra de armas e equipamentos militares - questão que expôs sua preocupação com o financiamento russo das aquisições de armamentos pela Venezuela.

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