Colômbia rejeita proposta de negociação das Farc

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, rejeitou nesta terça-feira a proposta do novo líder da guerrilha Farc para que seja retomada uma negociação de paz abandonada há uma década.

JACK KIMBALL, REUTERS

10 de janeiro de 2012 | 18h24

"Não queremos mais retórica, o país exige atos claros de paz", escreveu Santos pelo Twitter, deixando claro que mantém as pré-condições de deposição de armas, libertação de reféns e suspensão dos ataques por parte dos rebeldes.

A guerrilha está no seu momento mais fraco em vários anos, depois da morte de diversos líderes e da deserção de milhares de combatentes.

Na noite de segunda-feira, o site da guerrilha (www.farc-ep.co) divulgou uma carta em que seu recém-nomeado comandante, Timoleon Jiménez, o "Timochenko", diz que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia "estariam interessadas em uma hipotética mesa de negociação".

"Timochenko" não explicou o termo "hipotética", nem deu sinais de que as Farc acatariam as condições do governo.

A Colômbia teve vários processos de paz desde a década de 1980, com resultados variados. Alguns pequenos grupos se desmobilizaram, mas as Farc, maior guerrilha do país, persistem, financiando-se em parte pelo tráfico de drogas.

A última negociação com a guerrilha aconteceu entre 1999 e 2002, numa zona desmilitarizada na região de El Caguán.

"Esqueçam um novo Caguán", disse Santos, que era ministro das Finanças naquela época.

As Farc foram amplamente acusadas na época das negociações de aproveitarem a zona desmilitarizada para se rearmarem e reequiparem, enquanto elementos ligados a grupos políticos de direita ficaram sob suspeita de também solaparem o diálogo.

Para alguns colombianos, El Caguán se tornou um símbolo da má vontade das Farc para acabar com uma guerra que matou dezenas de milhares de pessoas e deixou milhões de refugiados em quase meio século.

Com ajuda militar dos Estados Unidos, Santos e seu antecessor, Álvaro Uribe, conseguiram aniquilar parcialmente as Farc. Timochenko assumiu a chefia no ano passado, depois da morte numa ação militar do dirigente Alfonso Cano.

Em sua errática carta, que incluía referências à Bíblia, a mitos gregos e ao escritor norte-americano Jack London, o líder guerrilheiro diz que as Farc desejam tratar de questões como privatizações, desregulamentação, comércio, investimentos, degradação ambiental e doutrina militar.

A carta, intitulada "Sem mentiras, Santos, sem mentiras", critica as políticas do governo para a exploração de petróleo e carvão, alegando que ela favorece mais os investidores que os colombianos.

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