Colômbia renuncia a áreas desmilitarizadas para diálogos de paz

O governo da Colômbia renunciou à faculdade de dar o controle de zonas do país a grupos armados ilegais para criar áreas desmilitarizadas que permitam avançar nos diálogos de paz, anunciou o ministro do Interior, Germán Vargas, na terça-feira.

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

31 de agosto de 2010 | 15h48

O ministro esclareceu que o presidente Juan Manuel Santos mantém aberta a porta para uma negociação com as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), mas sem estabelecer zonas de onde a polícia e o Exército tenham de sair.

"O governo não quer fazer uso dessas faculdades, não haverá novamente zonas de desobstrução no território nacional. O governo mesmo renuncia a ter essa faculdade que não pensa utilizar", disse Vargas.

De acordo com a lei ao qual o governo renunciou, o ex-presidente Andrés Pastrana entregou às Farc o controle territorial de uma zona de 42 mil quilômetros quadrados, duas vezes o tamanho de El Salvador, que serviu de sede a uma negociação fracassada de paz entre 1999 e 2002.

Além de servir de sede aos diálogos de paz, a guerrilha utilizou a região para esconder sequestrados, proteger seus líderes, traficar armas e drogas, assim como para escapar de operações militares após ataques cometidos nas imediações do enclave rebelde, segundo fontes de segurança.

O ex-presidente Alvaro Uribe também utilizou a norma para estabelecer uma zona na qual se concentraram, no norte do país, os líderes máximos paramilitares em meio a uma questionada negociação que permitiu que 31 mil combatentes desses grupos armados ilegais depusessem suas armas.

"É uma mensagem para que qualquer diálogo eventual não esteja condicionado a desocupar zonas do território nacional, o governo não renuncia a progredir com os diálogos, mas não sob a premissa de que se desocupe uma parte do território nacional", assegurou o ministro do Interior.

"Os grupos armados ilegais devem entender que, não existindo essa faculdade, não será passível de negociação a desobstrução de nenhuma área do território nacional", explicou.

No passado, as Farc exigiram que o governo retirasse as Forças Militares e a polícia de um departamento no sul do país como condição para um diálogo de paz.

Posteriormente, solicitaram a retirada das Forças Armadas de uma extensa zona montanhosa do sudoeste da Colômbia a fim de criar uma área de segurança na qual seus representantes e os do governo se reunissem para negociar um acordo de intercâmbio de reféns.

Mas o ex-presidente Uribe, que governou entre 2002 e 2010, se negou a cumprir as exigências das Farc, consideradas uma organização terrorista pelos EUA e pela União Europeia.

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