Colômbia resgata Betancourt e desfere duro golpe nas Farc

Soldados colombianos enganaramrebeldes fazendo-os libertar a franco-colombiana IngridBetancourt e três norte-americanos em um arriscada masnão-violenta operação realizada em uma área de mata eresponsável por desferir um pesado golpe contra o mais antigogrupo insurgente da América Latina. Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia, eramantida refém havia seis anos pela guerrilha Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) e era a vítima maisconhecida do grupo. O resgate de quarta-feira diminuiu ainda mais o poder debarganha da guerrilha, que já havia perdido recentemente trêsde seus maiores líderes, e fortaleceu o presidente colombiano,Alvaro Uribe, que enfrenta um escândalo político ligado a casosde corrupção. A bem-sucedida missão pode aumentar a confiança dosinvestidores em Uribe, um aliado dos EUA altamente popular porcausa do combate às Farc e de suas políticas de livre mercadoque incentivam os investimentos e o crescimento econômico. Betancourt, 46, mãe de dois filhos, chorou e rezou aoabraçar parentes em uma base aérea de Bogotá enquanto trêsprestadores de serviço norte-americanos --Keith Stansell, MarcGonsalves e Thomas Howes-- eram levados de avião para os EUAdepois de terem passado cinco anos como reféns. "Sinto-me como se estivesse regressando de uma viagem aopassado", disse Betancourt, vestida com uma jaqueta camuflada eaparentando estar bem de saúde. Além dela e dos norte-americano, 11 soldados e policiaisforam resgatados depois da operação de 22 minutos realizada naProvíncia de Guaviare (sudeste). Segundo a Colômbia, a missão envolveu a infiltração deagentes na liderança das Farc e a ação de soldados que fingiramser membros de um grupo de ajuda humanitária encarregado detransportar os rebeldes até o acampamento de um comandante dogrupo. "Essa foi uma operação de inteligência comparável aosmaiores épicos da história humana, mas sem que nenhuma gota desangue tenha sido derramada, sem que nenhum tiro tenha sidodisparado", afirmou Uribe. No entanto, as Farc, consideradas uma organizaçãoterrorista pelos EUA e pela União Européia (UE), ainda mantêmem seu poder vários reféns importantes, alguns dos quais pormais de uma década. A guerrilha deseja trocá-los por rebeldespresos na Colômbia. Betancourt não era vista desde que um vídeo gravado pelosrebeldes apareceu no ano passado. Naquelas imagens, aex-candidata aparentava fragilidade. O vídeo provocouindignação na Colômbia e em outros países. Ex-reféns contaramque Betancourt havia sido acorrentada depois de ter tentadoescapar várias vezes. "O suicídio é algo em que pensamos diariamente, algo queadiamos diariamente", disse a ex-candidata ao canal de TV CNN."Eu estava muito doente. Acho que me encontrava à beira damorte." Segundo Betancourt, os reféns foram obrigados a entrar emum helicóptero algemados e ficaram surpresos ao ver seuscaptores sendo desarmados e ao ouvir de um oficial do Exércitodizer: "Vocês estão livres". NEGOCIAÇÕES MAIS DURAS Os norte-americanos libertados trabalhavam para a NorthropGrumman e haviam sido capturados em 2003 depois de o pequenoavião no qual estavam ter caído em uma área de mata durante umaoperação de combate ao narcotráfico. Horas depois de sua libertação, os três foram levados a SanAntonio. Texas, e depois para um hospital militar no Forte SamHouston, um posto do Exército dos EUA. Amanda Howes, sobrinha de Thomas Howes, disse à CNN que oresgate mostrava haver "sempre esperança." "Há sempre esperançapara todo mundo." O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um autodenominadorevolucionário socialista que se desentendeu com Uribe devidoàs Farc, telefonou para o dirigente colombiano paracongratulá-lo pela operação, afirmou um canal de TVvenezuelano. Neste ano, Chávez patrocinou acordos para a libertação dereféns mantidos sob o poder das Farc na esperança de que suascredenciais esquerdistas convencessem os rebeldes a ceder. Noentanto, uma operação colombiana para matar um comandante dogrupo dentro do Equador provocou uma crise andina que por pouconão se transformou em um conflito armado. O presidente francês, Nicolas Sarkzoy, que havia feito dalibertação de Betancourt uma prioridade, enviou seu ministrodas Relações Exteriores a Bogotá. Betancourt havia sido sequestrada enquanto fazia campanha àPresidência colombiana em 2002. Naquele momento, desobedecendoao conselho de militares, a franco-colombiana viajou para o suldo país e viu-se parada em um bloqueio montado pelosguerrilheiros. (Reportagem adicional de Adriana Garcia em Washington)

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