Colômbia resgata Ingrid Betancourt e mais 14 reféns das Farc

A ex-candidata à Presidência colombianaIngrid Betancourt, um símbolo do flagelo do sequestro, foiresgatada na quarta-feira sã e salva pelo Exército da Colômbiadepois de passar seis anos em acampamentos na mata, sob o poderdas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Junto com Betancourt, 46, de nacionalidadefranco-colombiana, foram soltos, em uma operação audaciosa,três norte-americanos e 11 membros da polícia e do Exércitofeitos reféns pelos guerrilheiros. A libertação deles, alguns sequestrados há mais dez anos etodos parte de um grupo de 40 pessoas que as Farc pretendiamtrocar por 500 rebeldes presos, significa um duro golpe para ogrupo e uma vitória para a política rígida adotada pelopresidente Alvaro Uribe com o apoio dos Estados Unidos. O resgate ocorreu no departamento de Guaviare (sudeste dopaís) depois de o Exército ter conseguido infiltrar-se entre osguerrilheiros e enganá-los, convencendo-os a transportarem osreféns em um helicóptero militar disfarçado. Dentro do veículo, os soldados renderam rapidamente os doisrebeldes que acompanhavam os reféns enquanto estes descobriamestarem a caminho da liberdade. "Creio que isso é um sinal de paz na Colômbia. Nós podemosobter a paz a confiamos em nossas forças militares. Eu queroagradecer a cada um dos soldados da Colômbia", disse Betancourta uma rádio militar. Vestindo um colete das Forças Armadas, a ex-candidata saiudo avião presidencial que a levou a uma base militar de Bogotájunto com o resto dos libertos. Ali, Betancourt encontrou suamãe, Yolanda Pulecio, e o marido, Juan Carlos Leconte. "Esse foi um resgate de cinema que conferiu liberdade a 15pessoas que estavam sendo torturadas", disse o ministrocolombiano da Defesa, Juan Manuel Santos. Betancourt, cuja libertação foi demandada várias vezes emmanifestações ocorridas no mundo todo, havia sido sequestradaem fevereiro de 2002, enquanto os prestadores de serviçonorte-americanos Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Howescaíram na mão dos guerrilheiros em fevereiro de 2003. Em Paris, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, quecomandou diversos esforços diplomáticos para libertarBetancourt, comemorou o feito. Ao mesmo tempo, em um telefonema, o presidente dos EUA,George W. Bush, congratulou Uribe, a quem descreveu como um"líder forte". VÔO DA LIBERDADE As Farc, consideradas uma organização terrorista pelos EUAe pela União Européia (UE), sofreram duros golpes no últimoano, incluindo a morte de ao menos cinco de seus líderes. Na operação militar batizada de Xeque, foram capturadosdois membros das Farc encarregados de vigiar os reféns. Os familiares das pessoas libertadas comemoraram a notíciainesperada vinda do governo colombiano. "Quero lhe dizer que a amo, que estou muito feliz que elaesteja livre. A felicidade que sinto é indescritível", afirmoude Paris Lorenzo Delloye, filho de Betancourt. Já Astrid Betancourt, irmã da ex-candidata à Presidência,disse: "Estou felicíssima e não vejo a hora de abraçar a minhairmã. Foram tantos anos de espera. Que maravilha que essecalvário terminou." Santos explicou que os reféns encontravam-se divididos emtrês grupos e que as forças de segurança enganaram osguerrilheiros, convencendo-os a reuni-los a fim de que fossemtransportados no helicóptero de uma organização humanitáriafictícia. No entanto, o helicóptero era do Exército e levava váriosmilitares que renderam os guerrilheiros encarregados deacompanhar os reféns. Betancourt contou que, logo depois de os rebeldes teremsido dominados, um soldado disse: "Somos do Exército nacional evocês estão em liberdade". "O helicóptero quase caiu de tantoque choramos, pulamos e nos abraçamos", afirmou. GOLPES CONTRA AS FARC A libertação de Betancourt soma-se a outros golpes sofridospelas Farc nos últimos meses, entre os quais a morte de RaúlReyes, um de seus principais líderes, que perdeu a vida em umbombardeio realizado por forças colombianas contra umacampamento localizado dentro do Equador. Além dessa morte, a guerrilha enfrentou também recentementea perda de seu fundador e líder máximo, Manuel Marulanda, quesofreu um ataque cardíaco mortal em março. O grupo ainda viu a deserção de cerca de 9.000 de seusintegrantes desde que Uribe subiu ao poder, em 2002. As últimas imagens de Betancourt e dos trêsnorte-americanos haviam sido divulgadas no fim do ano passado,quando o Exército capturou três supostos guerrilheiros emBogotá e confiscou-lhes vídeos e fotografias que as Farcpretenderiam enviar ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez,como prova de que os reféns estavam vivos. Naquela gravação, a ex-candidata aparecia abatida,enfraquecida e muito magra. Meses depois surgiram boatos de queBetancourt encontrava-se gravemente doente e que corria riscode morte. Nas mesmas imagens, os três norte-americanos apareciam nomeio da mata e exibiam sinais claros do prolongado cativeiro. Entre janeiro e fevereiro, as Farc libertaram seispolíticos entregues na selva colombiana a missões humanitáriasorganizadas por Chávez, que logo depois pediu à comunidadeinternacional que reconhecesse o grupo como uma entidade emguerra. As declarações dele fizeram piorar as relações entre aColômbia e a Venezuela. (Reportagem de Luis Jaime Acosta, com a colaboração deNelson Bocanegra e Javier Mozzo)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.