Colômbia sairá de tragédia causada pelas chuvas, diz Santos

Temporais já deixaram 296 mortos; presidente também pediu que Farc libertem sequestrados

24 de dezembro de 2010 | 23h02

BOGOTÁ- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse nesta sexta-feira, 24, acreditar que o país poderá superar a tragédia ocasionada pelas chuvas que já deixaram 296 mortos, e reiterou a exigência para que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertem todos os sequestrados.

 

"Sem dúvida, este é um Natal diferente do que esperávamos. As chuvas e as inundações superaram todas as previsões, todas as estimativas", afirmou Santos em mensagem natalina para a população colombiana.

 

O presidente lembrou que essa é a pior tragédia vivida pelo país por conta do número de pessoas afetadas e pela extensão da catástrofe que, segundo o mais recente relatório da Polícia, deixou 294 feridos, 2,16 milhões de desabrigados, aproximadamente 1,3 milhão de hectares de terras agropecuárias inundadas e 3.353 casas destruídas.

 

Segundo Santos, as chuvas na Colômbia foram mais prejudiciais que o ocorrido com o furacão "Katrina", que devastou Nova Orleans, nos Estados Unidos. Para ele, "a grande diferença é que não se trata de apenas uma cidade inundada, mas de todo um país".

 

A situação, ainda de acordo com o presidente, não voltará ao normal apenas com algumas semanas de sol. Ao contrário, a recuperação e a reconstrução da Colômbia levarão anos e, por isso, "o país precisa estar unido e trabalhar conjuntamente".

 

"Eu sei, e os senhores sabem, que sairemos desta dura prova se nos esforçarmos juntos", destacou, para depois acrescentar: "sairemos mais fortes, mais solidários e mais unidos do que nunca".

 

Santos falou também sobre as pessoas que estão retidas pelas Farc, das quais pediu um breve retorno: "quero lembrar com grande sentimento dos colombianos sequestrados. Exigimos sua libertação imediata".

 

No último dia 8, a organização revolucionária anunciou que porá em liberdade dois militares, dois políticos e um policial, processo no qual o Brasil e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aceitaram fazer parte da logística.

 

"Temos que perseverar, e não desceremos a guarda um só minuto até que alcancemos a paz completa no país", assegurou o presidente, que parabenizou as tropas e a Polícia pelos avanços e conquistas no combate contra as guerrilhas e o narcotráfico, mas advertiu que a ameaça ainda está presente.

 

"Este ano não foi um ano fácil. A 'fera', a 'cobra', como o Presidente (Álvaro) Uribe chamava as Farc, segue viva. Está encurralada, debilitada, mas as feras, quando encurraladas e debilitadas, são mais perigosas e mais covardes", finalizou.

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