Colômbia suspende mediação de Chávez com as Farc

A Colômbia suspendeu na quarta-feira amediação do presidente da Venezuela com o maior grupoguerrilheiro de esquerda colombiano, por meio da qual sepretendia avançar para a libertação de um grupo de refénssequestrados, que inclui a ex-candidata presidencial IngridBetancourt. A decisão do governo do presidente Alvaro Uribe abalou asesperanças dos familiares de 49 reféns que estão no poder daForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), queacreditavam que a mediação de Chávez seria bem-sucedida nasnegociações. Algumas dessas pessoas estão perto de completar 10 anos decativeiro em acampamentos no meio da selva. A suspensão da mediação, segundo analistas, também podeprovocar tensões entre Venezuela e o governo colombiano, queautorizou em agosto que o presidente Chávez agisse comomediador. "O presidente da República dá por encerrada a participaçãoda senadora Piedad Córdoba e a mediação do presidente HugoChávez, aos quais agradece a ajuda que estavam prestando",disse um comunicado do governo. A decisão foi tomada depois que Chávez, por intermédio dasenadora Córdoba, se comunicou por telefone com o comandante doExército da Colômbia, general Mario Montoya, ao qual fezperguntas sobre os sequestrados em poder das Farc. Uribe e Chávez tinham acertado recentemente em Santiago,durante a Cúpula Ibero-Americana, que a questão dos refénsseria tratada pessoalmente e sem utilizar outros canais decomunicação, explicou o governo colombiano. Além de Ingrid Betancourt, as Farc mantêm sequestrados trêsnorte-americanos, cinco ex-congressistas, um ex-governador evários integrantes das Forças Armadas. As Farc pretendem trocar esses reféns por 500 guerrilheirosdetidos nas superlotadas prisões do país, mas as posiçõesradicais das partes tem impedido qualquer acordo. O pai do suboficial do Exército Pablo Emilio Moncayo, umdos reféns que as Farc tentam trocar, lamentou a decisão dogoverno de Uribe e disse que isso demonstra mais uma vez que opresidente não tem interesse em conseguir a libertação dosreféns. "São momentos tão difíceis que estamos vivendo.Infelizmente temos que seguir recebendo golpes após golpes",afirmou o professor Gustavo Moncayo. Chávez recebeu representantes das Farc na Venezuela comoparte de sua mediação, e na terça-feira se reuniu em Paris como presidente da França, Nicolas Sarkozy, que também apóia oacordo humanitário pela libertação da franco-colombianaBetancourt e dos demais reféns. O presidente venezuelano, por quem as Farc admitem simpatiae admiração, pediu ao principal líder da guerrilha, ManuelMarulanda, que liberasse unilateralmente um grupo de reféns.

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