Colômbia tentará manter relação comercial com Venezuela

Chávez chama Uribe de 'irresponsável' e congela relações após acusação de desvio de armas para Farc

29 de julho de 2009 | 11h13

A Colômbia disse nesta quarta-feira, 29, que irá tentar manter o fluxo comercial com a Venezuela, seu segundo maior parceiro comercial, apesar do congelamento das relações decidido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Caracas anunciou na véspera que irá retirar seu embaixador de Bogotá, após dias de acusações mútuas sobre uma possível concentração de tropas dos EUA na Colômbia e de fornecimento de armas de Caracas para rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

 

O rompimento preocupa os exportadores colombianos, já afetados pela valorização do peso local. Nos primeiros cinco meses do ano, a Colômbia exportou um total de US$ 2,25 bilhões para a Venezuela. "Trabalharei com meus homólogos venezuelanos e com os setores privados de ambos os países para que nossa relação comercial não seja afetada por problemas políticos", disse o ministro colombiano da Agricultura, Andrés Fernández, a uma rádio local.

 

Chávez disse que seu país também pode suspender todos os acordos comerciais com o governo Uribe, os projetos conjuntos - como um gasoduto binacional - e encontrar novos fornecedores para substituir os bens importados da Colômbia. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, deve anunciar ainda na quarta-feira uma resposta à decisão de Chávez.

 

Líderes de esquerda da região andina, entre eles Chávez, afirmam que Uribe ameaça seus vizinhos ao negociar um plano que aumentaria a presença militar dos EUA na Colômbia. Em 2008, Chávez enviou tanques para a fronteira com a Colômbia depois de Bogotá bombardear um acampamento rebelde no vizinho Equador. A Colômbia há muito se queixa de que Caracas e Quito não se empenham suficientemente em combater os insurgentes. "Tivemos situações semelhantes no passado, e o comércio continuou crescendo", disse o ministro colombiano do Comércio, Luis Guillermo Plata, na quarta-feira a jornalistas.

 

A Colômbia já recebeu bilhões de dólares em ajuda militar destinada a combater a guerrilha Farc e os traficantes de cocaína que financiam os insurgentes. Bogotá disse na segunda-feira que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) haviam obtido foguetes que a Venezuela comprara na Europa. A Venezuela nega a denúncia, acusando a Colômbia de usar isso para justificar o futuro acordo militar com os EUA, a ser assinado em agosto.

 

As tensões entre a Venezuela e a Colômbia aumentaram após Bogotá anunciar na semana passada que lançadores de foguetes vendidos pela Suécia à Venezuela nos anos 80 foram obtidos pelas Farc. A Suécia confirmou que as armas tinham sido originalmente vendidas à Venezuela. Há tempos funcionários colombianos vêm acusando Caracas de ajudar as Farc - acusação que Chávez nega.

 

O clima entre os dois países já estava tenso por causa da intenção do governo Uribe de autorizar a instalação de pelo menos três bases americanas em território colombiano. Chávez criticou as negociações e chegou a dizer que os EUA estavam preparando uma ofensiva contra a Venezuela que seria lançada a partir da vizinha Colômbia.

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